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Guiné – A emboscada da traição

Maio 21, 2020

Mósca

Pelo comando do general António de Spínola foram desenvolvidas negociações com o PAIGC no sentido de integrar os guerrilheiros em Unidades Africanas das Forças Armadas Portuguesas e a nomeação de Amilcar Cabral para o cargo de Secretário-Geral da Província.

Já em Dezembro de 1968 o Comandante.Chefe afirmou que “a guerra da Guiné não podia ser ganha pela força das armas, mas apenas pela força da razão.” Também Marcelo Caetano depois de ter feito uma viagem em Abril de 1969 às Províncias Ultramarinas Portuguesas, concebeu um plano de autonomia progressiva desses territórios.

No início de 1970 o Comandante-Chefe da Guiné ordenou os primeiros contactos com os combatentes do PAIGC e em Chão Manjaco houve contactos entre as forças portuguesas e elementos da guerrilha e nessas conversações pretendia-se o fim da guerra e a integração das forças da guerrilha do PAIGC em Unidades Africanas das Forças Armadas Portuguesas com a nomeação de Amilcar Cabral para o cargo de Secretário-Geral da Província da Guiné.

Dos detalhes desse plano secreto foi dado conhecimento ao Ministro do Ultramar Joaquim Moreira da Silva Cunha, durante a sua viagem à Guiné, tendo o general Spínola exposto a situação que se vivia ultimamente em Chão Manjaco e a grande oportunidade de se parar com a guerra. Sucederam-se diversas reuniões até que André Pedro Gomes, chefe guerrilheiro daquela região, exigiu a presença do Governador e Comandante-Chefe para poderem ser ratificados os compromissos acordados.

Dando resposta ao solicitado o general Spínola, acompanhado pelo seu Ajudante-de-Campo e por outros oficiais superiores, compareceu no local acordado na estrada entre Teixeira Pinto/Cachéu para dar as garantias do acordo.

Tudo parecia bem encaminhado. Contudo a DGS (antiga PIDE) não tinha conhecimento oficial destas conversações, o que dá a entender que não terá havido informações adequadas entre o general António de Spínola e aquela polícia política, que parece que não concordava com o plano.

Em 16 de Abril de 1970 o general Spínola faz uma reunião com os oficiais superiores para mandar parar todas as acções ofensivas das Forças Armadas Portuguesas e em 20 de Abril – dia acordado para o fim das hostilidades – após receberem as instruções do Quartel-General, os majores Passos Ramos, Magalhães Osório e Pereira da Silva, o alferes miliciano Palmeiro Mósca e dois guias guineenses  deslocaram-se desarmados para o local acordado com a guerrilha na zona de Jolmete, relativamente perto do aquartelamento de Pelundo. Esta seria a nona reunião entre estes cinco oficiais e os guerrilheiros. Porém este encontro terminou numa emboscada realizada por outros elementos do PAIGC e os cinco oficiais foram chacinados.

Consequentemente os contactos e conversações cessaram e reactivaram-se os combates.

Perdeu-se uma oportunidade para o fim da guerra.

O alferes Joaquim João Palmeiro Mósca, natural do Redondo (Alentejo) era regente agrícola, do meu curso de 1965, da Escola de Évora.

Excelente colega e amigo e de quem guardo grande saudade.

Manuel Peralta Godinho e Cunha