Archive for Setembro, 2018

Sem as dores do parto

Setembro 25, 2018

Paneleiro da Casa Real britânica

Em Maio deste ano completaram-se 50 anos sobre um movimento contestatário que começou em Paris e no ambiente estudantil mas que rapidamente se estendeu a toda a França e a muitas latitudes do mundo.

Primeiro os estudantes universitários e depois os trabalhadores em greves e manifestações de dimensões tais que o governo chefiado por Charles De Gaulle estremeceu.

As universidades de Nanterre e de Sorbonne lideraram o processo e a polícia reprimiu com violência os estudantes, que com violência tinham começado a contestação.

Era “proibido proibir” e o Partido Comunista Francês – parecendo pouco inspirado nas políticas da União Soviética, onde a democracia e as liberdades de expressão eram proibidas – apoiou os manifestantes. As greves atingiram o número absurdo de 7 milhões de aderentes.

Le patron a besoin de toi, tu n’as pas besoin de lui” (O patrão precisa de ti, tu não precisas do patrão) – uma das frases emblemáticas.

Era preciso mudar tudo, nada ficar como dantes e não se proibir nada!

O que aconteceu 50 anos depois, nesta Europa sem rumo?

Sem se querer proibir parece mal contrariar umas minorias. A tal ideia de 1968, de nada proibir deu uma volta completa e não se podem ofender determinadas mentes protegidas pelos próprios Governos. Assim, em Portugal é preciso muito cuidado com o vocabulário, não obstante a Constituição da República Portuguesa referir que o “exercício dos direitos do povo não poder ser impedido ou limitado por qualquer tipo de forma de censura”.

Mas eles andam por aí fazendo a sua censura, nos jornais, na rádio, nas televisões, nas redes sociais da internet. Censuram onde podem.

Os exemplos são muitos: Cigano não – etnia cigana sim; Pobre não – desfavorecido sim; Paneleiro não – gay sim; Vício não – dependência sim, Negro não – afro-descendente sim. Muitos mais exemplos poderiam aqui ser explanados, como Criada que deve ser agora empregada de actividades domésticas; Velho já não se escreve, mas sim idoso, etc., etc.

Um mundo estranho de conceitos e preconceitos muito apadrinhados por Partidos Políticos que se consideram ao lado do povo, de uma esquerda caviar de militância vocabular, muito triste mas de cara alegre e cheia de etiquetas que conseguem passar estas ideias a outras agremiações também partidárias que em vez de as repelir baixam a cabeça obedientes.

Então o termo “casamento” foi estendido a qualquer parelha de maricas ou lésbicas, numa confusão de termos que nada tem a ver com a Família.

Assim, vai a Europa e mais algumas partes do mundo que também deseja estar à moda.

Moda que se instalou também próximo da Casa Real Britânica que festejou agora, numa capela protestante, uma união homossexual a que também chamaram “casamento”.

Se a moda se estender às outras Monarquias os nascimentos continuarão a diminuir – pondo em risco a linha sucessória – porque estes “casais” não sentem as dores do parto.

A não ser que com o “brexit” este modelo real fique por lá.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

— Na foto e com a felicidade no olhar, o Lord Ivar Mountbatten – primo da rainha Isabel II – que saiu do armário para “casar” com o James Coyle.

 

Um primeiro ministro em Angola

Setembro 17, 2018

Falta de respeito

António Costa de calças de ganga em visita oficial a Angola

Muito do desempenho de um primeiro-ministro aprende-se na escola, na formação constante, na realidade do confronto dos problemas a resolver nas empresas por onde passou – isto no caso de não ser só político – na vivência laboral, etc. Mas há um “saber estar” – que só é saber se souber estar – que se aprende em ambiente familiar. Porém 4 ou 5 irmãos podem ter comportamentos diferentes não obstante terem tido a mesma educação familiar, o que quer dizer que há os que tiveram isso tudo, família, escola, formação contínua, experiência profissional e que até sabem fazer discursos políticos, mas que lhes falta esse “saber estar” que pode trazer situações embaraçosas para si, para os seus, para a empresa onde trabalha. Pior, muito pior, quando essas atitudes colocam mal o país e são inerentes a posturas menos próprias de alguém que deveria representar com dignidade o Estado.

Dom Miguel legítimo rei de Portugal

Setembro 1, 2018

bandeira nacional monarquica

Dom Pedro I, Imperador do Brasil, sendo monarca de um país estrangeiro não deveria ter retornado a Portugal e ao fazê-lo só provocou uma guerra civil, medonha e desnecessária de 1828 a 1834.

Ao assumir a independência do Brasil e ao ter sido coroado imperador daquele imenso território, o legitimo herdeiro do trono de Portugal na linha da sucessão, seria e foi o seu irmão Dom Miguel. Aliás, esse era o entendimento de grande parte do povo, do clero e da nobreza, com o argumento que Dom Pedro já não seria português e portanto não deveria ser o soberano.

Alguns que lutaram ao lado de Dom Pedro vieram mais tarde a arrepender-se, como foi o caso de Alexandre Herculano.

Por outro lado Dom Pedro é abusivamente considerado por alguns historiadores como rei de Portugal, porque nunca o chegou a ser. Quando desembarcou na Ilha Terceira em 3 de Março de 1832, assumiu-se como regente do Reino em nome da sua filha Dona Maria II.

Em 1834 foi assinada a Convenção de Évora-Monte, em 24 de Maio, que pôs fim à guerra civil e em 24 de Setembro faleceu Dom Pedro no palácio de Queluz. Não foi rei de Portugal, foi sim imperador do Brasil.

Durante a prolongada guerra civil declarada pelo imperador do Brasil e com a intenção de colocar no trono real de Portugal a sua filha Maria da Glória, a bandeira usada pelas forças de Dom Pedro era azul e branca e depois foi considerada a bandeira do Reino de Portugal. Até aí a bandeira nacional era branca e com as armas reais.

Manuel Peralta Godinho e Cunha