Archive for Julho, 2018

Defensores da verdade?

Julho 30, 2018

Escravos modernos

Subitamente foram-se multiplicando, como se fosse moda, aparecendo em público e também escrevendo artigos de opinião, algumas personagens que manifestam as suas opções ideológicas querendo acusar Portugal de um passado tenebroso relacionado com o tráfico de escravos, para tentarem, talvez, repor uma verdade histórica relacionada com o escravismo de África para diversas paragens nomeadamente o Brasil.

Será que estamos perante uma corrida para ver quem mais consegue reescrever a Histórica ou a querer agora, séculos depois, fazer um acto de contrição de factos passados da culpa dos portugueses de antanho – e de outros povos colonialistas, espanhóis, ingleses, belgas e holandeses que foram negreiros – e que agora esses querem acusar como esclavagistas os avós dos outros como se os avós deles próprios tivessem sido meninos do coro e muito bem comportados?

A escravatura pesa tragicamente no historial de muitos povos, principalmente dos vencedores que condenaram à escravatura os vencidos, não só os negros. Assim foi sempre.

Mas mais recentemente e com a escravatura abolida, durante o século passado e na década de 30, quando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas decretou “A protecção da Propriedade Socialista” que proibia os camponeses russos de se alimentarem com os seus próprios produtos, determinando que as colheitas fossem entregues na totalidade ao Partido Comunista, cujas brigadas de militares, polícias e fiscais percorriam o território soviético a confiscar qualquer cereal armazenado, isso não era escravatura disfarçada de socialismo ou era o socialismo a impor a escravatura?

Ao longo dos tempos nas lutas e guerras para se consolidarem fronteiras e se formarem as nações, a História dos povos ficou marcada pela violência. Ficou e fica. Hoje mais pelos interesses relacionados com o petróleo e venda de armas e ordenado por alguns que se julgam os defensores da verdade mesmo que a tenham de disfarçar de movimentos religiosos, mas sempre com a intenção de deter o poder.

Também outros “defensores da verdade” apadrinham a ideia que a Europa deve agora receber os muitos milhares de migrantes islâmicos, que atravessam à sorte o Mediterrâneo e que depois de os acolher os utilizam nos trabalhos pesados que os europeus já não querem fazer.

Europeus que não querem ter filhos e que admitem também que serão esses migrantes a repor a natalidade…

Assim vai a escravatura moderna.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Bem prega Frei Tomás

Julho 29, 2018

Diário de Notícias

Nem todos gostam de ler as notícias em jornais online e ainda há quem prefira ler os jornais em papel. Por isso mesmo comprei hoje o Diário de Notícias – que agora é semanário de domingo – e gostei de ler, entre outros artigos, “Como não houvesse amanhã” da autoria de Viriato Soromanho-Marques sobre as alterações climáticas e respectivos incêndios florestais e as atitudes incompetentes dos que conduzem as políticas ambientais “como se não houvesse amanhã”. Interessante a triste recordação ao que se chamou “Síndrome G. Schroder” do antigo Chanceler alemão Gerhard Fritz Schroder, que em 2002 ganhou as eleições devido a um verão com fortes alterações climáticas e que sendo ele de um Partido Social Democrata não deixou de tirar benefícios de uma coligação com os ecologistas defendendo a necessidade urgente da defesa do ambiente. Porém, quando deixou a política e voltou para a actividade privada, aceitou uma bela posição na GAZPROM a maior companhia de combustíveis fósseis da Rússia e uma das maiores na prospecção e exploração de hidrocarbonetos do mundo.

Um belo artigo que termina analisando a retórica do actual governo de Portugal “da necessidade de prevenção e combate às alterações climatéricas” e o contraste com a sua posição nas concessões às companhias petrolíferas ao largo de Aljezur, na perspectiva de que a produção de petróleo no Alentejo poderá chegar a uns milhões de barris.

E as alterações do ambiente? E as prováveis poluições na costa alentejana?

Bem prega Frei Tomás…

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Schroder  Gerhard Schroder

Portas do Sol sem bandeira

Julho 26, 2018

Portas do Sol sem bandeira-11.03.2018

Santarém deveria ter sempre hasteada nas Portas do Sol uma bandeira nacional de enormes dimensões, na muralha, de forma a ser vista ao longe.

A bandeira é um dos símbolos nacionais e representa também a soberania e independência do país.

Porém, nas Portas do Sol – sala de visitas de Santarém – o Município já há muito tempo que não coloca a bandeira nacional nem sequer aos domingos e feriados.

A foto ilustra o local apropriado com a ausência do símbolo nacional.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

Victoriano Braga e a pega de caras

Julho 23, 2018

Dada a diversidade de opiniões, tudo o que se disser sobre a base histórica da pega é duvidoso. Não tem a pega nada a ver com antecedentes gregos, como alguns defendem, ao apontarem as figurações acrobáticas demonstradas em pinturas da Grécia antiga no palácio de Knosos. Nessas pinturas, figuras femininas fazem acrobacias em cima de bois.Nada de semelhante ou aproximado à masculinidade da nossa pega de caras ou de cernelha.

A pega foi um invento português. “Simplesmente portuguesa”, tal como escreveu Victoriano Braga:

“O homem que for para a cara de um toiro fará o que para muitos é considerado temeridade e para nós portugueses apenas uma pega de caras.”

 

Victoriano Braga (1888-1940) – Grande aficionado tauromáquico, tradutor e crítico teatral e escritor dramático. Na sua obra destacam-se “Octávio”; “O solar da Madame Xavier”; Casaca encarnada” e “Inimigos”.

 

Grupo de Forcados Amadores de Évora - 1964

 

 

Na foto o Grupo de Forcados Amadores de Évora, na Praça de Toiros de Évora em Setembro de 1964. Pega de Evaristo Cutileiro a um toiro da ganadaria Passanha.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Ter um Partido

Julho 20, 2018

Pedro Santana Lopes

Tem sido divulgado na comunicação social que irá aparecer mais um Partido Político liderado por um dissidente do Partido PSD/PPD que se chama Pedro Santana Lopes (PSL).

Há sempre espaço para mais uma movimentação política e há quem diga que será denominado Partido Social Liberal (PSL).

Todos sabemos que um Partido não é mau negócio se – e só se – tiver votos suficientes. Vejamos o Partido dos Animais (PAN) que mesmo sem ter muitos votos tem uma confortável receita paga pelos portugueses. Assim, o senhor engenheiro André Lourenço e Silva ao ser eleito como único deputado, conseguiu que a sua causa dedicada aos animais tenha recebido para o Partido uma subvenção pública de 213,5 mil euros em 2017.

Não é mau para o trabalho de deputado. Uma remuneração que nem qualquer gabinete conseguirá receber anualmente em trabalhos de engenharia.

Bem sabemos que deputado tem que fazer discursos…o que não é fácil.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

 

Pessoa / Salazar

Julho 19, 2018

F.Pessoa

Fernando Pessoa terá sido um nacionalista que não apoiaria e detestava Afonso Costa e da Primeira República fez notar a sua admiração só por Sidónio Pais.

Quando da Ditadura Militar (1916-1933) Fernando Pessoa também condenou o regime nomeadamente pela institucionalização da Censura Prévia.

Em 1928 Salazar, como Ministro das Finanças, assumiu o compromisso de endireitar as contas públicas o que, para muitos políticos, parecia uma missão impossível. Preparou o orçamento de 1928-1929 e no curso do exercício o “deficit” baixou aceleradamente e foi possível considerar a hipótese da realização de obras públicas, como a reconstrução de estradas, aumento da rede dos caminhos-de-ferro, melhoramento dos portos, extensão da rede telefónica e projectos hidroeléctricos nos rios Douro e Zêzere.

Na apreciação do final deste orçamento, Salazar calou os seus detractores que do exterior combatiam a Ditadura Nacional – Jaime Cortesão, Norton de Matos, António Sérgio, Afonso Costa, entre muitos outros – ao apresentar um saldo positivo de 300 mil contos.

Fernando Pessoa que considerava António Salazar um ministro inteligente, disciplinado e voluntarioso mas com falta de imaginação política, não deixou de escrever o seguinte:

“Salazar é o homem de maior prestígio hoje em Portugal, é o homem que sendo civil, manteve coeso o Governo Militar português, apesar de não ser Chefe de Estado nem sequer do Governo, mas simplesmente Ministro das Finanças.”

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Salazar

 

Mensagem aberta

Julho 12, 2018

À Câmara Municipal da Póvoa de Varzim

Exmºs. Senhores

Tem sido publicitado na comunicação social que há intenção dos responsáveis da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim de encerrarem a Praça de Toiros local.

Provavelmente que muitos poveiros que gostam das touradas e certamente muitos outros aficionados do norte e de outros pontos do país, estão preocupados se esta decisão se concretizar.

Ser aficionado ao toureio a pé ou ao toureio a cavalo e à portuguesa arte de pegar toiros, tem a ver com o gosto de apreciar nas arenas um confronto entre a enorme força do toiro e de alguém que com serenidade, sabedoria e conhecimento taurino suficiente, o consegue dominar.

Gostar assim, ninguém o será forçado.

Naturalmente que quem viveu sempre em ambiente urbano, longe na natureza e dos animais dificilmente gostará de uma tourada.

Os aficionados à Festa Brava respeitam naturalmente todas as opiniões e não querem que ninguém vá contrariado ver uma corrida de toiros, mas seria bom que quem não gosta não confunda toiros de lide com gatos, cães, periquitos ou papagaios. Esses são os tais animais de cativeiro. O toiro de lide é um animal bravo e que vive em liberdade cerca de 4 anos e é um animal de luta que pode matar. Porém o que o distingue de outras feras é a nobreza. Por ser nobre é exactamente essa característica, que permite as regras de tourear. A bravura e a nobreza de um toiro notam-se principalmente pela investida recta para quem o excita, mas essa bravura pode também ser observada em outros detalhes do decurso da lide.

Esse é o toiro bravo cuja raça só será mantida se continuarem as touradas nas diversas praças de toiros da Península Ibérica e que qualquer pessoa que goste de animais não gostaria que fosse extinta.

Os toiros de lide têm a dignidade dos lutadores, por isso os pegamos de caras em Portugal.

Aproveito para anexar um momento bem português e que foi captado por um fotógrafo na Praça de toiros da Póvoa de Varzim em Agosto de 1964: uma pega de caras executada pelo Grupo de Forcados Amadores de Évora.

Termino sugerindo que seja bem ponderada uma atitude razoável pelos actuais responsáveis por essa Câmara Municipal e que não seja contra a maioria dos que querem continuar a ver lidar e pegar toiros na Póvoa de Varzim.

Apresento a V.Exªs os meus melhores cumprimentos,

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

Santarém, 11 de Julho de 2018
 

Póvoa de Varzim-9.08.1964