Archive for Abril, 2018

Tiradentes

Abril 21, 2018

Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, que nasceu em Minas Gerais, Brasil, em 1748, conhecido por “Tiradentes”, foi um dos conspiradores da revolta armada conhecida por “Inconfidência Mineira”.

Este movimento de conspiração deve ter sido influenciado pela revolução norte-americana contra o domínio inglês mas com uma diferença significativa, enquanto os norte-americanos lutaram pela independência da totalidade da colónia inglesa, os revolucionários da “Inconfidência Mineira” tinham como objectivo uma independência de Minas Gerais.

Uma das causas próximas para a movimentação da “Inconfidência Mineira” foi o alvará régio de 5 de Janeiro de 1785, onde por ordem da rainha D. Maria I – a Piedosa – foi determinado a destruição dos teares do Brasil.

Nesse tempo era vice-rei do Brasil D. Luís de Castro, conde de Resende e almirante-mor das Armadas de Portugal, tendo como governador da Capitania de Minas Gerais D. Luís da Cunha Menezes que ficou conhecido por ser um tirano e autor das mais inomináveis violências.

Tiradentes foi condenado à forca e executado no Rio de Janeiro em 21 de Abril de 1792, num local onde costumavam acampar ciganos. Nos seus últimos dias, antes da execução, comportou-se com grande coragem e dignidade. Depois de enforcado, o corpo foi esquartejado e transportado pela tropa para Minas, a fim de ser apresentado em título de ignomínia.

Em 25 de Abril o bispo do Rio de Janeiro, D. José Mascarenhas, celebrou missa solene de acção de graças pelo enforcamento e esquartejamento do Tiradentes.

Os restos do corpo de Tiradentes, escoltados pelo Regimento de Estremoz, foram sendo distribuídos ao logo do caminho: o quarto superior esquerdo ficou amarrado a um poste na estalagem das Cebolas, próximo de Paraíba do Sul; o quarto superior direito foi pendurado num cruzamento de estradas próximo de Barbacena; o quarto inferior direito ficou em exposição em frente da estalagem de Varginha; o quarto inferior esquerdo foi espetado no alto das Bandeirinhas, perto de Vila Rica.

Em Vila Rica, quando o Regimento chegou em 21 de Maio, depois de uma difícil marcha através das montanhas de Minas Gerais, na manhã seguinte e em presença do visconde de Barbacena, do Ouvidor da Comarca, do Escrivão do Crime, do presidente do Senado da Câmara e dos camaristas convocados, foi colocada num poste e presa por corrente de ferro, a cabeça descarnada do alferes Joaquim José da Silva Xavier “O Tiradentes”. Portanto um mês depois da execução.

A cabeça foi furtada dias depois, numa noite, sem que se pudesse apurar quem a retirou dali.

 

La Lys – 100 anos

Abril 8, 2018

Batalha de La Lyz.

A Batalha de La Lys em 9 Abril de 1918 foi uma tragédia para Portugal e para a presença das forças armadas portuguesas na Primeira Guerra Mundial.

Se foi necessária uma intervenção armada portuguesa em África, no sul de Angola e no norte de Moçambique, nas fronteiras com as colónias alemãs e portanto na defesa daqueles territórios face aos ataques alemães e onde muitos soldados portugueses perderam a vida, já o mesmo não sucedeu na Europa. A intervenção armada de Portugal na Flandres não foi solicitada pelos aliados, mas considerada por alguns políticos que seria necessária a entrada da República Portuguesa numa guerra onde quase todos os países eram Monarquias. O Partido Democrático – de Afonso Costa e Bernardino Machado – foi defensor da intervenção militar como forma de consolidar o regime republicano.

Portugal conseguiu conservar os territórios ultramarinos de Angola e Moçambique e desfilou no final da guerra com os vencedores depois de ter sofrido cerca de 8.500 mortos, um indeterminado número de feridos em combate dos 115.000 homens, que foram recrutados, mal preparados e enviados com fardamentos inadequados para as frentes em África e na Flandres.

A impreparação militar, a falta de armamento capaz, as insuficientes regras sanitárias num exército recrutado à pressa, provocaram só em Moçambique mais portugueses mortos do que na frente europeia e quase todos vítimas de doenças tropicais. Era o reflexo da falta de organização militar que caracterizou a Primeira República Portuguesa.

Depois da derrota em La Lys, provavelmente o maior desastre militar português, ficaram prisioneiros de guerra dos alemães cerca der 7.000 soldados portugueses em condições deploráveis e por um período que se estendeu até ao final da guerra.

Oficialmente a Guerra terminou em 11 de Novembro de 1918 e deixou marcas nas Forças Armadas que começaram a acreditar que era necessário o derrube de um regime que apregoava “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” mas que as tinha obrigado a combater em condições de “morrer à fome e à sede nos areais africanos” enquanto outros ganhavam com o negócio das guerras, como diria o general Manuel de Oliveira Gomes da Costa que, na madrugada de 28 de Maio de 1926, partiria de Braga e em direcção a Lisboa numa revolta que levaria ao fim da 1ª. República Portuguesa, a uma ditadura militar e depois ao Estado Novo.

 

A lição de Turim

Abril 4, 2018

Cristiano Ronaldo-golo fenomenal

Ontem em Turim e num jogo importantíssimo para a Taça do Campeões Europeus o Real Madrid ganhou. Três golos, dois de Ronaldo e um de Marcelo depois de uma assistência de Ronaldo.

Mas o “melhor do mundo” deliciou os espectadores que tiveram a felicidade de presenciar este jogo, quando do seu segundo golo e de pontapé de bicicleta, rodeado por três defesas adversários e o guarda redes Gianluigi Buffon – o melhor de Itália – que também ficou para a história do jogo por ter ficado na fotografia, estático e maravilhado com tamanha façanha do português.

Porém, golos de “outro mundo” já Cristiano Ronaldo nos habituou. Sim o que nos surpreendeu mais, não foi só o excelente golo, mas ver o público de pé aplaudindo Cristiano Ronaldo. Os adeptos da “Vecchia Signora” num enorme aplauso a um jogador adversário. Uma maravilha.

Sim, os adeptos do Juventus de Turim deram uma lição às claques do Real Madrid que tantas vezes assobiam e insultam os seus próprios jogadores.

Lição que não só os principais clubes de Espanha deveriam ter aprendido, mas também por esse mundo, outros públicos, outras claques. Direi que a lição pode servir para muitos dirigentes e adeptos, para todos os que não se sabem portar num espectáculo de futebol.

Salve Juventus Football Club!

 

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Emblema Juventus de Turim