Esbatido o conceito de Família

Maio 17, 2019

Seguro de família

Há cartazes de rua com publicidade de uma companhia de seguros inteiramente enquadrada no conceito de família moderna em Portugal.

Em primeiro lugar e perfeitamente destacado o cão – o conceito central familiar – depois o pai e um filho e a mãe recuada. Um único filho. Destaque, o verdadeiro destaque para o canino.

Num país de pessoas envelhecidas e com precária natalidade não se vê nessa publicidade avós nem mais familiares que estejam próximo deste exemplo de família portuguesa actual.

Acreditamos que a própria companhia de seguros, autora desta promoção ao “seguro de saúde para toda a família”, também sinta que as famílias estão cada vez com menos elementos e quando os há só se notam mais pela ausência. Assim, há que destacar o cão. Mas, se o seguro for para quatro elementos por apólice, como mostra a linda foto da publicidade: cão, pai, filho e mãe. Uma ternura de família.

Talvez se atinjam os objectivos. Há que insistir e coordenar as estratégias de marketing.

Porém se o cão for substituído por uma cadela, haverá sempre a expectativa saudável da família ser aumentada por uma ninhada, sem se retirar a hipótese de redução de matilha futura com a oferta de alguns cachorrinhos à porta do supermercado em complemento de promoção de qualquer marca de rações intitulada de “Animais e a Adopção”.

Tudo uma questão de sinergia comercial adaptada ao actual quotidiano: animais + pessoas = famílias modernas.

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Ataque à Academia do Sporting

Maio 15, 2019

Ataque à Academia do Sporting - 15.05.2018

Passou um ano sobre o que de pior aconteceu no Sporting Clube de Portugal. Alguém teve a ideia de mandar avançar um grupo de marginais para invadirem e agredirem os jogadores e treinadores na Academia de Alcochete.

As imagens difundidas mostraram e provam ser um acto de terrorismo.

Tem a Justiça portuguesa a fama de ser lenta e neste caso assim parece. Um ano depois estão os terroristas por condenar e o mentor do assalto ainda é desconhecido.

Imposto de cão

Maio 9, 2019

Cadela de colo de senhora

Menos crianças em Portugal. Muito menos do que há uns anos o que parece ser uma preocupação. Até os políticos dizem isso nos discursos.

O que é preocupante.

Muitos mais cães em Portugal e com um tratamento tipo familiar, com direito a assento no sofá e cama com os donos.

O que é interessante.

Interessante para as fábricas de rações e para as clínicas veterinárias especializadas. Nunca venderam tanto!

Os mais velhos, mas só mesmo os mais velhos, lembram-se que o cão estava onde devia estar, no quintal ou na quinta, dormia em casota apropriada e comia as sobras da alimentação de casa, portanto ajudava na reciclagem desses alimentos Era feliz, vivia como tal, como cão. Uns, mais felizardos, acompanhavam os donos na caça. Desses ainda haverá alguns, mas em pequena percentagem.

O cão moderno tem outro estatuto vive em apartamento mobilado. O cão moderno tem o senhor dos animais que trata dos seus assuntos na Assembleia da República Portuguesa. O cão moderno, depois dos debates, ténues, no parlamento e sem oposições, passou a ter um estatuto mais elevado e quando deu por isso já podia entrar nos restaurantes de Portugal como qualquer pessoa e já sendo considerado da família. Aliás, o cão moderno tem estatuto, não é como os seus antepassados que nem tinham registo de paternidade. Nada disso. Nada comparado ao antigo cão que só conhecia a mãe e que muitas vezes era filho de um qualquer rafeiro que por ali tinha passado, o que só envergonhava o país. O cão moderno tem aquela papelada toda, tem um “chipe” e se falasse poderia perguntar quem é o pai e o avô, tios e tias, porque está tudo registado, preto no branco. Tudo registadinho!

O cão do antanho lá levava a vacina contra a raiva e pouco mais. Já o cão moderno tem veterinário certo, uma enorme quantidade de vacinas, usa uns champôs para andar com o pelo brilhante, vai à clínica com regularidade, cortas as unhas e cheira bem. Tudo registado em ficheiro de computador e com o respectivo número de cliente. Nada de cheiros a cão. Nada disso. Quase um aroma de senhora e muito aproximado aos perfumes da dona.

O cão moderno vai à clínica receber apoio psicológico por causa do stress e toma pastilhas para andar calmo e não ter aqueles pensamentos fixos nas cadelas. Mesmo que não seja, parece sereno com tanto remédio e ração importada, equilibrada de todas as vitaminas e sais minerais necessários para andar feliz.

O cão moderno passeia-se e muito. A qualquer hora se vê atenciosos passeantes de cães que os levam pelas ruas aos jardins. Nesses jardins. as poucas crianças que ainda por lá aparecem, não podem brincar, porque está todo sujo dos cães. As ruas também, as praças e os largos, tudo conspurcado e aconselha-se muito cuidado e atenção redobrada a quem passa para não ficar com os sapatos sujos.

Ao caminhante recomenda-se muita atenção onde coloca os pés, porque as Câmaras Municipais não têm verba para tratar de tanto lixo canil.

Exactamente por isso, faria todo o sentido que ao passeante de cão fosse atribuída uma taxa camarária destinada a custear as despesas de limpeza, à mangueira, de ruas e jardins para as cidades passarem a ter um aspecto mais higiénico e civilizado.

Digo eu.

Parabéns pelos primeiros 10 anos

Maio 7, 2019

Jornal I - 10 anos

Hoje 7 de Maio de 2019 o “Jornal I” fez 10 anos. O que nos séculos passados não seria nada de especial, neste século XXI em Portugal e também em toda a Europa é um caso para destaque: dez anos de um jornal – É obra!

Hoje os jornais que se publicam em papel têm muita, diria muitíssima, dificuldade em se manterem. em conseguir um resultado de vendas e de publicidade que permita pagar as despesas, que são muitas.

Como escreveu Marta F.Reis, no “Jornal I” de hoje:

“Passaram 10 anos. Numa redação, o tempo é uma coisa estranha – parece menos e, ao mesmo tempo, muito mais do que dez anos, em dias que se prolongam, em histórias que nos prendem, em pessoas que nos marcam, nas mudanças que testemunhamos no que nos rodeia e nas nossas vidas.”

E, acrescentamos, no esforço imenso em tentar manter em papel em jornal diário. Veja-se ao que aconteceu ao legendário “Diário de Notícias” – para não referirmos muitos outros – que de diário passou a semanário, impotente para se manter como tal nas bancas dos jornais e que na sua publicação diária é só digital.

Só digital porque há uma diferença grande entre o jornal digital e em papel. Se um chega rapidamente a todo o lado raramente é lido na totalidade e só procurado para determinada notícia. Outro caso é o do jornal de papel, que também lemos em primeiro lugar o que nos interessa e depois, folheando pausadamente, nos apercebemos de outras notícias que provavelmente passariam despercebidas no digital.

Mas o tempo não pára. Tudo se modifica, porém há que fazer um esforço para que algo se mantenha.

Força JORNAL I.

Parabéns pelos primeiros 10 anos!

Manuel Peralta Godinho e Cunha

As diferenças nacionais e os nacionalismos

Abril 29, 2019

Bandeira Europa

São várias as células da Nação, como a família, o território, a propriedade privada, o local onde moramos, o trabalho, etc., mas sempre uma identificação com a Nação que tem afinidades com a cultura, a história, o idioma, o conceito religioso e a ligação étnica do povo.

Cada povo faz parte de uma Nação com território, cultura e história. Cada povo tem valores, símbolos e mitos comuns, não obstante existirem países que são o conjunto de várias Nações, como é o caso da Espanha, Suíça e uns outros.

Será que o conceito de Nação se apagará com o avanço, imposto, da globalização?

A quem interessa a desnacionalização dos povos? Às multinacionais controladoras do capital? Às grandes potências mundiais?

O conceito nacionalista de Fernando Pessoa “Tudo pela Humanidade, nada contra a Nação” não impede, por exemplo, uma unidade europeia.

Uma unidade com diferenças nacionais.

O Público dos Toiros

Abril 28, 2019

Público dos toiros...

Poderemos considerar que todos os que assistem às corridas de toiros são  “aficionados”? Certamente que não.

Há diversos tipos de espectadores, onde estão incluídos os “aficionados”, mas a grande maioria são “espectadores ocasionais”, onde estão incluídos os turistas; também um elevado número de “espectadores tradicionais” que gostam de ir às corridas com tradição nas datas, como a de 10 de Agosto em Beja, a de São Pedro em Évora, etc.

Em Portugal são efectivamente os “espectadores ocasionais” e os “espectadores tradicionais” que dão suporte à Festa Brava. São eles que enchem as Praças e que, não obstante os seus reduzidos conhecimentos taurinos, vibram e aplaudem os toureiros e os forcados. Por vezes esses aplausos são exagerados – como acontece presentemente da Praça Monumental do Campo Pequeno – mas com eles há alegria e satisfação por assistirem a um espectáculo que os diverte.

Ainda bem. Porque só com a bilheteira resultante dos “aficionados” as corridas de toiros seriam bem poucas e a perspectiva do futuro da Festa seriamente comprometida.

Alguns certamente ainda se recordam das acções publicitárias da empresa do Campo Pequeno nos anos 60 do século passado – Manuel dos Santos – dirigidas nos hotéis de Lisboa para os turistas, onde eram colocados nas recepções programas escritos em francês, inglês e alemão, com fotografias de toureio e de pegas e com a informação de que “não há toiros de morte” e a explicação da diferença da tauromaquia portuguesa com a espanhola, com realce para a pega e o forcado. Essa publicidade resultava e junto à Praça estacionavam diversos autocarros com turistas.

Para a manutenção da tauromaquia em Portugal é absolutamente necessário a presença do “espectador ocasional” e com a sua presença os “aficionados” poderão continuar a assistir ao que mais gostam: a Corrida de Toiros.

De salutis gregis dominici

Abril 12, 2019

Papa Pio V Papa Pio V

Têm surgido ultimamente diversas notícias, tão ao agrado de alguns jornais do mal dizer, com as posições anti-taurinas e animalistas de associações que se dizem defensoras dos animais.

A Festa Brava é, desde tempos imemoriais, o espectáculo favorito de um elevado número de cidadãos europeus com destaque para espanhóis, franceses e portugueses.

Todos temos o direito de gostar ou não. Não devemos querer impor a nossa opinião e obrigar outros a segui-la.

Um dos primeiros e mais influentes anti-taurinos foi Antonio Michele Ghiselieri (*1504 †1572) cardeal no tempo do papa Paulo IV e por este nomeado Grande Inquisidor. Foi ele que organizou a primeira perseguição aos judeus, que passaram a estar confinados em getos e proibidos de ter mais do que uma sinagoga em cada comunidade. Mais tarde, já como papa Pio V, publicou a bula “De salutis gregis dominici” que obrigava a suspensão completa dos espectáculos tauromáquicos, por os considerar “não de homens mas do demónio.”

Não obstante o fervor religioso de Dom Filipe II de Espanha e de Dom Sebastião I de Portugal, estes reis não deram seguimento à ordem do papa. Dom Filipe II confessou-se incapaz de fazer cumprir, em povo tão arreigado à tauromaquia, a bula papal. Dom Sebastião I faleceu em combate no norte de África em 1578.

As atitudes anti-taurinas provocam sempre uma reacção.

Hoje em Portugal e nalguns pontos da União Europeia há quem pense que pode mandar nas vidas, tradições e culturas dos povos, onde a diversidade deveria ser respeitada. Quem são e por quem são constituídos estes movimentos anti-taurinos?

Quantos são os que não querem que se realizem touradas? Quem lhes paga? A quem interessa que sejam destruídas as ganadarias bravas?

Os aficionados terão que se movimentar no sentido que seja criado um Observatório Tauromáquico que estude, analise e dê a resposta adequada a estes movimentos de carácter terrorista.

Como é do conhecimento geral, a corrida de toiros contém uma série de valores éticos representados pelo toureio, reconhecido por elevado número de pensadores e artistas, resultando avultadas manifestações artísticas e culturais no domínio da literatura, escultura, pintura, teatro, fotografia e cinema.

A tauromaquia terá que ser defendida!

 

Marquês de Pombal

Março 22, 2019

Marquês de Pombal

Um exemplo, que me deixou de boca aberta, foi a descoberta dos restos mortais do Marquês de Pombal numa caixa de madeira guardada numa capela da Igreja da Memória, na Ajuda. Também me surpreendeu a descoberta da casa onde nasceu, na Rua do Século, que está num estado lastimável.”

Barry Hatton  –  Revista Visão 7.03.2019

 

Poucas personalidades históricas tiveram a repercussão de Sebastião de Carvalho e Melo – Conde de Oeiras e Marquês de Pombal – Secretário de Estado da Monarquia Portuguesa durante o reinado de Dom José I.

O Marquês de Pombal (1699 – 1782) foi um dos principais estadistas de Portugal, tendo consolidado o poder régio em confronto com algumas figuras da nobreza e da Igreja e teve importantíssimo desempenho na reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755.

Os seus restos mortais deveriam estar no Panteão Nacional.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Marquês de Pombal - estátua

Paiva Couceiro e o Caminho de Ferro de Benguela

Março 5, 2019

Paiva Couceiro

Henrique Mitchell de Paiva Couceiro – Oficial de Artilharia

Em 1902 o Governo do Reino de Portugal assinou com a empresa de Robert Williams um convénio autorizando a construção do Caminho de Ferro de Benguela, uma linha férrea que ligava o Catanga na fronteira oriental de Angola com o porto do Lobito numa extensão superior a 1.800 Km.

Obra complexa que exigia técnicos e pessoal especializado, materiais adequados, instalações para o pessoal, armazéns e toda a logística inerente a uma obra desta grandiosidade em terrenos difíceis e com grandes extensões onde a falta de água era uma grande preocupação.

Quando Henrique de Paiva Couceiro – oficial do Exército com gloriosas campanhas em África – teve conhecimento do “Contrato Williams”, ele que considerava que o desenvolvimento das colónias deveria ser só através de um esforço exclusivamente nacional, insurgiu-se por terem sido adjudicadas as obras a uma empresa britânica e a concessão da exploração por 99 anos.

Paiva Couceiro reclamou em “carta aberta” enviada à Câmara dos Pares e publicada no Diário Ilustrado, mas o contrato já tinha sido assinado e era impossível ser anulado, apesar dos muitos protestos de grande parte da população que também não concordava com a concessão a estrangeiros. Porém também havia quem defendesse a posição do governo neste assunto, admitindo que a concessão aos britânicos resultaria numa maior rapidez na construção do caminho-de-ferro pelos ingleses em comparação com a lentidão, dificuldades financeiras e técnicas e a burocracia atávica da administração portuguesa em todas as obras nacionais.

A polémica teve como resultado uma advertência e punição militar a Paiva Couceiro que recebeu ordem do governo de Ernesto Hintze Ribeiro para ser transferido de Lisboa para um quartel em Évora.

Os trabalhos para a realização da via férrea iniciaram-se em Benguela em Junho de 1904 e só em 1931 é que pela primeira vez o porto do Lobito recebeu por comboio o primeiro carregamento oriundo do Catanga.

Caminho de ferro de Benguela

Os Integralistas de 1914

Fevereiro 24, 2019

António Sardinha António Sardinha (1887~1925)

“Nós não somos patriotas por sermos monárquicos. Somos antes monárquicos por sermos patriotas.”

António Sardinha

Integralismo Lusitano

 

O Integralismo Lusitano aparece em 1914 e as suas ideias são publicadas na revista “Alma Portuguesa” e nos panfletos denominados “Aqui d’el Rei” e teve bom acolhimento da parte dos sectores da Igreja Católica que estavam desagradados com a ofensiva anti-clerical da República.

Era um movimento cívico que se considerava Anti-Liberal; Anti-democrático e Monárquico tradicional.

Também o “Integralismo Lusitano” – movimento fortemente nacionalista – defendeu a restauração na Monarquia mas uma Monarquia não parlamentar, uma Monarquia Orgânica. Os integralistas defendiam o municipalismo e o sindicalismo como seu ideário político que não dispensava o Rei como Procurador do Povo. O movimento manteve-se em actividade entre 1914 e 1922 e teria algumas afinidades com a “Action Française”, de Charles Maurras, como movimento doutrinário e portador de um projecto monárquico com tendências políticas de conservadorismo radical e que se iniciou em Coimbra com uma base social nos alunos da Faculdade de Direito.

Num confronto de ideias, os integralistas opunham à República Democrática / a Monarquia Integral, classificando a Democracia “como multidão com a sua baixa psicologia e as suas inferiores reacções de sentimento”; ao contrário da Monarquia Integral que caracterizavam como sendo a “Nação organizada, hierarquizada e seleccionada”. Preconizavam portanto que ao “sufrágio universal” deveria opor-se a “representação dos núcleos tradicionais”, como a Família, os Municípios e as Profissões.

Recomendavam que o Parlamento fosse substituído por uma Assembleia Nacional e representativa dessas “forças vivas”, onde estivessem representantes dos Municípios, dos Sindicatos Operários, dos Grémios Profissionais e Patronais numa aproximação orgânica à antiga Monarquia Portuguesa e sem influência dos ideais da Revolução Francesa caracterizados na Cartas Constitucionais de 1822 e 1826 e na Constituição Republicana de 1911.

O Integralismo Lusitano apoiou o descendente de Dom Miguel I e não o Rei exilado Dom Manuel I porque este tinha jurado a Carta Constitucional.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Integralismo Lusitano