Trabalho em Portugal para brasileiros

Janeiro 14, 2020

Brasil + Portugal

(…) se o Brasil é sonho para portugueses ou os portugueses se entretêm a sonha-lo, Portugal nem é sonho do Brasil, nem os brasileiros perdem tempo em nos sonhar (…)

Eduardo Lourenço

“O mito da Comunidade Luso-Brasileira”   –  1959

 

Uma frase de um filósofo português e professor universitário, escrita nos finais dos anos 50 do século passado, provavelmente quando esteve como professor na Universidade da Bahia e terá adquirido uma experiência relacionada com a vivência dos portugueses no Brasil e um maior e melhor conhecimento do povo brasileiro.

“Portugal não é sonho do Brasil, nem os brasileiros perdem tempo a nos sonhar” – um sentimento perfeitamente correcto em meados do século passado mas agora, 60 anos depois, totalmente ultrapassado na vivência da economia dos dois países.

Se ainda há portugueses que desejam ir para o Brasil são presentemente muito mais os brasileiros que querem ou sonham vir para Portugal. A violência instalada em todo o território brasileiro faz pensar aos habitantes daquele país, aos que têm possibilidades económicas de o fazer, de se mudarem para Portugal onde se entendem no mesmo idioma apesar de um sotaque diferente.

Hoje mais de 25% dos estrangeiros que residem em Portugal são brasileiros, quase todos legalizados ou em fase de legalização e onde a ascendência portuguesa facilita a autorização de residência ou de dupla nacionalidade.

Mas a maioria dos registados em 2015 cerca de 118 mil estão na região de Lisboa, sendo muito facilitada a entrada por Portugal não obrigar visto de turista aos brasileiros que passem a fronteira.

A diferença salarial entre os dois países, o elevado desemprego no Brasil e a oportunidade de transitarem para a Europa, tem motivado os brasileiros no sentido de procurarem emprego em Portugal e com facilidade na indústria hoteleira se vêm muitos funcionários oriundos do Brasil.

Hoje dificilmente a indústria hoteleira – principalmente a restauração – conseguiria funcionar em Portugal sem o elevado número de brasileiros a ocupar os lugares que os portugueses não aceitam, uns por serem subsídio-dependentes e outros por continuarem, sem trabalhar e sem estudar, a viver à custa dos pais ou dos avós e onde a ética do trabalho parece que se perdeu com a argumentação de que os salários são baixos para um elevado número de horas laborais.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Europa – do Latim ao Inglês

Janeiro 4, 2020

Bandeiras da União Europeia

O latim foi a língua oficial do império Romano e mais tarde usada na Europa medieval e através da Igreja Católica Romana tornou-se o meio de comunicação falado e escrito nas universidades durante a Idade Média. Na Europa Ocidental cristã, o latim teve grande influência no castelhano, catalão, francês, galego, italiano,português, romeno e em diversos dialectos regionais, estando hoje confinado ao Vaticano e no Ritual Romano da Igreja Católica.

Do século XVII até último quartel do século XX o francês foi a língua dominante por diplomatas em reuniões internacionais e o idioma mais utilizado nas classes mais educadas da Europa.

Porém o Inglês, que é o terceiro idioma mais falado do mundo depois do mandarim e do castelhano, ultimamente passou a dominar nos negócios, na política internacional, na pesquisa científica, etc.

No que diz respeito às reuniões na União Europeia, onde eram oficialmente reconhecidas 4 línguas oficiais em 1958 (alemão, francês, holandês e italiano) o inglês passou a ser também uma língua oficial a partir de 1973. Depois, sucessivamente foram introduzidos os idiomas de todos países que foram entrando para a União e que passaram a ser Estados-Membros e que neste momento são 24 idiomas e continuarão a ser, mesmo depois da anunciada saída da Grã-Bretanha, onde o inglês continuará a estar pela presença da República da Irlanda.

Mas o inglês tem sido língua de trabalho no Banco Central Europeu. Fará sentido continuar a ser esse o idioma oficial no Banco quando é de um pequeno país – a República da Irlanda – com uma população de cerca de cinco milhões de habitantes?

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Apostas hípicas mútuas

Dezembro 28, 2019

Corridas de cavalos

Segundo o que tem sido publicado na comunicação social, serão autorizadas em 2020 as apostas hípicas mútuas e que este jogo poderá gerar receitas que rondam os 300 milhões de euros por ano. Tal como os outros jogos, também as apostas hípicas serão da responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que anda há uns anos a preparar as condições para este novo jogo social.

Portugal ainda não tem hipódromos com as condições necessárias para realização das provas, o que tudo indica que serão feitos acordos com entidades internacionais para o início dessas apostas. Porém para o desenvolvimento de todos os negócios inerentes às corridas de cavalos será absolutamente necessária a autorização estatal para a construção das estruturas e equipamentos adequados no nosso país, o que certamente irá fomentar a criação de cavalos para o efeito e um considerável número de postos de trabalho directos e indirectos.

Tendo a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa o exclusivo de uma série de jogos sociais, tal como as lotarias, o totobola, o totoloto, o euromilhões, o milhão, as raspadinhas e o placard, não seria agora uma hipótese de descentralização e a concessão deste novo jogo à Santa Casa da Misericórdia da Golegã onde está sediada a Capital do Cavalo?

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

 

Muralha de Adriano

Dezembro 9, 2019

Bandeira da Escócia

Construída no ano de 122 durante o Império Romano, tinha cerca de 115 Km. de comprimento, com altura de 4,50 metros em alguns locais e com 3 metros de profundidade, a Muralha de Adriano ficou totalmente acabada no ano 126.

Na realidade os romanos nunca conseguiram conquistar toda a ilha que hoje se chama Grã-Bretanha e essa muralha dividia os países que mais tarde se chamaram de Inglaterra e Escócia. Dizia-se que de um lado estava a “civilização” e do outro os “bárbaros”. De um lado os terrenos conquistados e do outro os que os romanos nunca governaram. De um lado a cultura romanizada, de outro lado a cultura celta. A muralha, mandada construir pelo imperador Públio Élio Trajano Adriano, tinha como objectivo defender os ataques das tribos que habitavam os terrenos que hoje se denominam como Escócia.

Na realidade nem toda a Bretanha esteve sob o domínio do Império Romano e isso resultou em povos com culturas e tradições diferentes.

Mais tarde, no ano de 843, a Escócia foi um reino independente e em 1603 o rei escocês James VI herdou a coroa de Inglaterra.

Depois com a formação da Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales) sob a mesma coroa real em 1707, houve naturalmente o domínio da Inglaterra sobre os outros povos e uma certa aculturação inglesa, se bem que tanto a Escócia como o País de Gales mantiveram, dentro do possível, as suas tradições e culturas próprias e nisso a Escócia conservou-se sempre mais distante e, por certo, com alguma intenção de independência relacionada com valores, símbolos e hábitos de vida diferentes dos ingleses.

Assim, houve um referendo em 2014 no sentido dos escoceses se pronunciarem sobre o direito à independência. Os nacionalistas atingiram apenas 44,7% dos votos, portanto um número insuficiente para se desvincularem do Reino Unido.

Porém a Escócia não recebeu bem a ideia do Reino Unido se afastar da União Europeia não concordando com o “Brexit” e, aparentemente, os escoceses são mais europeístas do que os ingleses e galeses.

Será que uma nova “Muralha de Adriano” se terá que recolocar como fronteira entre a Escócia e a Inglaterra mas agora com o nome de “Muralha do Brexit”?

Manuel Peralta Godinho e Cunha

A tal pinça

Dezembro 6, 2019

Material cirúrgico

É voz corrente dizer que juízes e médicos julgam-se de uma casta superior. Acima deles só os do governo, eles depois e isolados e muito em baixo os mortais, também denominados de contribuintes.

Não serão todos certamente, mas isso tem a ver com a imagem muito antiga, do século XIX, quando a maioria da população era analfabeta e em qualquer povoação o juiz e o médico eram considerados como seres raros e superiores. Isto a propósito de uma notícia muito divulgada ultimamente sobre o mau desempenho de uma equipa médica, quando um homem foi operado em Portugal em 1992, num hospital do Porto, e ficou com uma pinça na barriga, por descuido médico.

Em 1998, seis anos depois (6) é que tentaram retirar essa tal pinça, mas o doente faleceu durante essa intervenção cirúrgica.

A família reclamou e pediu uma indemnização. Os tribunais portugueses não resolveram nada, porque isso de mais pinça, menos pinça não é coisa que atrapalhe ninguém.

Felizmente Portugal pertence à União Europeia e de lá, mandaram dizer para cá, que a família deveria ter que ser indemnizada pelo Estado Português.

Serena e justa a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem que obriga Portugal pagar à família da vítima 32.500 euros mas só agora, passados 25 anos. O tempo que se perdeu, no Hospital de São João no Porto e nos Tribunais em Portugal…a falar com médicos e com juízes.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

O IVA e o Banco Alimentar

Novembro 30, 2019

Banco Alimentar

À porta dos supermercados realizou-se hoje mais uma campanha de recolha de alimentos a favor do Banco Alimentar contra a Fome e que irá possibilitar a entrega de mantimentos a diversas organizações de solidariedade social. A grande maioria das pessoas oferece sempre e de bom agrado um contributo que é destinado aos mais necessitados e que só é possível pelo trabalho abnegado e desinteressado de várias centenas de voluntários.

Serão portanto os mais necessitados os beneficiários desta acção de beneficência, mas não os únicos. Porque na verdade o Estado será também um favorecido relevante neste dia, arrecadando uma valiosa contribuição através do IVA.

Claro que as lojas e os fornecedores também beneficiam com este acrescentar de vendas e terão lucros inerentes à sua actividade, mas para o Estado, o grande beneficiário, cada acção destas representa uma bela fatia da factura do total das vendas.

É o que se chama ficar com parte da esmola!

Manuel Peralta Godinho e Cunha

O perigo das claques do futebol

Novembro 29, 2019

Arruaceiros ingleses e belgas

Gente arruaceira proveniente da Bélgica e da Inglaterra e pertencente aos clubes Standard de Liège e Wolverhampton desembarcaram do Porto em 27 de Novembro de 2019 para no dia seguinte se dirigirem a Guimarães e a Braga para assistirem aos jogos de futebol da Taça Europa e contra as equipas portuguesas do Vitória de Guimarães e Sporting de Braga.

Só que esta gente estrangeira dos futebóis é abrutalhada, estúpida e que não sabe estar. Gente que deveria ser proibida de viajar e muito menos entrar em estádios de futebol. Gente sem qualquer educação e num estado primário de brutalidade.

Portugal que tem tido enormes problemas com os reduzidos efectivos policiais e não obstante os distúrbios terem sido no Porto, não conseguiu atempadamente resolver a situação. Quando não há polícia suficiente na segunda cidade do país, como será em locais do interior se tal for necessário? Os estragos foram avultados na zona dos Cléricos e em outros locais no Porto.

Os vândalos partiram o que quiseram e em vez de terem ficado presos, assistiram aos jogos e já regressaram aos países de origem.

Ao governo da República parece ser populista qualquer sinal de alarme relacionado com as fracas forças policiais e os governantes sorriem quando no Parlamento são alertados por um pequeno Partido para o efeito.

A idade mínima das crianças assistirem ao futebol deveria ser revista. Não é a tourada que torna as pessoas agressivas. Essa agressividade nota-se mais nos estádios de futebol. O público da tourada é ordeiro e sensato. O público dos futebóis é arruaceiro e perigoso.

O país estaria mais seguro com menos sorrisos do governo e melhor acção policial.

Já chega!

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Seu Marco de Vargas

Novembro 24, 2019

Jorge Jesus -Taça Libertadores -23.11.2019

Quando não se sabe e se opina perde-se sempre uma oportunidade de estar calado.

Certamente que já estará arrependido de ter dito umas frases injuriosas a Jorge Jesus quando ele aceitou ser treinador do Flamengo.

Durante muitos anos Portugal e os clubes portugueses receberam diversos treinadores brasileiros. Uns com um desempenho melhor outros nem tanto. Nem todos venceram, mas em geral foram bem recebidos e respeitados.

Tal não aconteceu quando o actual treinador do Flamengo chegou ao Brasil e alguns comentadores desportivos desbobinaram diversas opiniões pouco fundamentadas sobre alguém que desconheciam e esse desconhecimento, como foi o seu caso, só mostra a impreparação de quem não está à altura do lugar que ocupa.

Desta vez um treinador de futebol de Portugal foi ao Brasil treinar um dos maiores clubes e venceu.

Seu Marco de Vargas, com uma costa marítima tão grande e bonita como tem o Brasil com lindas e belas praias, talvez fosse oportuno reconsiderar e deixar de fazer esses tristes comentários. Dedique-se à pesca e evite falar depreciativamente de futebol e de alguém que levou o Flamengo a conquistar ontem a Taça Libertadores numa final contra o enorme River Plate. Alguém que levou o Flamengo a ganhar hoje o Brasileirão 2019, algumas jornadas antes de terminar o campeonato. Alguém que pode ainda levar o Flamengo a ser campeão Mundial de Clubes.

Seu Marco de Vargas se se dedicar à pesca e sozinho mais ninguém o ouvirá a dizer asneiras com essa sua arrogância imprópria de estar em frente do público.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

 

Pesca à linha

O medo das direitas

Novembro 16, 2019

André Ventura-deputado

É muito natural a pessoa ir mudando de ideias e tal vai acontecendo desde criança, da adolescência, da idade escolar, durante a vida profissional e é o reflexo da influência do meio ambiente envolvente, das amizades, da leitura, do cinema, do teatro, da televisão, etc., que despertam ou acrescentam conceitos que vão modificando ideias iniciais num complexo que aumenta o conhecimento envolvendo a ética, a moral, as leis, a religião, a política, as artes, etc.

Mudar de opinião é assim natural e a democracia demonstra essas modificações quando se pode verificar com que frequência o eleitorado muda o sentido de voto e por isso se estipulam eleições em prazos regulares. Democraticamente mudar de opinião política não quer dizer traição.

Quem não muda de opinião é monolítico e também os há, sobretudo os que lêem pouco e nada acrescentaram ao seu conhecimento. E tudo isto a propósito do deputado André Ventura ser agora acusado de na sua tese de doutoramento em 2015 expressar opiniões contraditórias às que defende agora no Partido Chega. Pesquisa essa para tentar apressadamente travar alguém que no Parlamento tem sido o único a despertar curiosidade pela forma desabrida como enfrenta o Governo.

Como se não fosse possível alguém mudar de opinião. Veja-se os esquerdistas José Pacheco Pereira, maoísta em 1972 quando era filiado no Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista) e depois destacado militante do Partido Social Democrata e também José Manuel Durão Barroso que em 1977 era também fervoroso maoísta e pertencia ao Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) e que depois foi líder do Partido Social Democrata.

Ser de esquerda e à moda desde o 25 de Abril são quase todos os comentadores das rádios e das televisões e agora incomodados com um único deputado no Parlamento, que classificam de extrema direita, de tal forma que já há propostas de se extinguirem os debates quinzenais com o primeiro-ministro e de acordo a uma antiga opinião de António Costa que em tempos disse ser “uma das invenções mais estúpidas que a Assembleia da República fez nos últimos anos”.

Preocupada está também a comunicação social portuguesa com a subida eleitoral em Espanha do Partido VOX, da direita, que uns dizem ser “ultra-direita”, outros “extrema-direita” e outros “direita-radical”.

Mas não terão sido as diversas políticas de esquerda que se praticaram na Península Ibérica que despoletaram os votos na direita?

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Diário de Madrid

Novembro 15, 2019

Diário de Madrid - 1793

Em 20 de Junho de 1793 o Diário de Madrid foi, provavelmente, o primeiro jornal do mundo a incluir nas suas páginas informações tauromáquicas, tendo sido seguido por outras publicações espanholas que, com regularidade, se ocupam com críticas e comentários taurinos.

Essa primeira notícia saiu assinada com o pseudónimo de “Um curioso” e descrevia os festejos taurinos que se realizaram três dias antes, portanto em 17 de Junho de 1793 tendo sido lidados 6 toiros durante a manhã e mais 12 toiros durante a tarde.

Sobre a lide do primeiro toiro este primeiro cronista escreveu:

“El primer toro fué de la bacada de D. Joseph Gijón, de Villarrubia de los Ojos de Guadiana: entró a 14 varas y a 10 banderillas , no hirió caballos, y lo mató Pedro Romero á la primera estocada.”

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Toureiro 1793