Investimento do Alentejo

Maio 27, 2020

Embraer

Segundo o que está publicado, a Empresa brasileira Embraer vai investir no Alentejo mais 20 milhões de euros numa fábrica que irá produzir o ATL-100, uma aeronave desenhada para o mercado do Brasil.

Em causa não está a compra do que já existe, mas a criação de fábrica inteiramente nova”, como se faz referência na comunicação social.

Essa a grande diferença em relação aos chineses, que só “investem” na compra do que os portugueses já construíram perante a satisfação dos governantes de Portugal e o rasgado sorriso do senhor António Mexia, que trabalha na EDP (Energias de Portugal)  – e bem – para a República Popular da China.

Os diversos governos da 3ª. República têm vendido as empresas portuguesas, esvaziando para o exterior o que deveria ficar em Portugal. Isto sendo governos socialistas e sociais-democratas…O que seria se não estivessem, como estão, sempre ao lado do povo.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

 

Claro que aqui é Ribatejo

Maio 26, 2020

Tejo e leziria-16.02.2019

Aqui em Santarém, e Tomar e Abrantes, continuamos a chamar Ribatejo, não obstante alguns políticos terem dito para Bruxelas que isto é Alentejo por causa dos subsídios.
Outros dizem que aqui é Lisboa e Vale do Tejo. Mas não creditamos. Lisboa é onde eles estão e o Vale do Tejo é só uma parte do Ribatejo.

Aqui é Ribatejo!

Claro que aqui é Ribatejo, com a sua cultura própria e onde se lidam os toiros a cavalo e pegam os toiros de caras e de cernelha não obstante a tutela da Cultura ainda nunca tal ter visto.

Quando as vistas são curtas e o horizonte sempre nublado nesse Ministério que não entende a cultura popular é urgente mudar quem tão mal manda.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Guiné – A emboscada da traição

Maio 21, 2020

Mósca

Pelo comando do general António de Spínola foram desenvolvidas negociações com o PAIGC no sentido de integrar os guerrilheiros em Unidades Africanas das Forças Armadas Portuguesas e a nomeação de Amilcar Cabral para o cargo de Secretário-Geral da Província.

Já em Dezembro de 1968 o Comandante.Chefe afirmou que “a guerra da Guiné não podia ser ganha pela força das armas, mas apenas pela força da razão.” Também Marcelo Caetano depois de ter feito uma viagem em Abril de 1969 às Províncias Ultramarinas Portuguesas, concebeu um plano de autonomia progressiva desses territórios.

No início de 1970 o Comandante-Chefe da Guiné ordenou os primeiros contactos com os combatentes do PAIGC e em Chão Manjaco houve contactos entre as forças portuguesas e elementos da guerrilha e nessas conversações pretendia-se o fim da guerra e a integração das forças da guerrilha do PAIGC em Unidades Africanas das Forças Armadas Portuguesas com a nomeação de Amilcar Cabral para o cargo de Secretário-Geral da Província da Guiné.

Dos detalhes desse plano secreto foi dado conhecimento ao Ministro do Ultramar Joaquim Moreira da Silva Cunha, durante a sua viagem à Guiné, tendo o general Spínola exposto a situação que se vivia ultimamente em Chão Manjaco e a grande oportunidade de se parar com a guerra. Sucederam-se diversas reuniões até que André Pedro Gomes, chefe guerrilheiro daquela região, exigiu a presença do Governador e Comandante-Chefe para poderem ser ratificados os compromissos acordados.

Dando resposta ao solicitado o general Spínola, acompanhado pelo seu Ajudante-de-Campo e por outros oficiais superiores, compareceu no local acordado na estrada entre Teixeira Pinto/Cachéu para dar as garantias do acordo.

Tudo parecia bem encaminhado. Contudo a DGS (antiga PIDE) não tinha conhecimento oficial destas conversações, o que dá a entender que não terá havido informações adequadas entre o general António de Spínola e aquela polícia política, que parece que não concordava com o plano.

Em 16 de Abril de 1970 o general Spínola faz uma reunião com os oficiais superiores para mandar parar todas as acções ofensivas das Forças Armadas Portuguesas e em 20 de Abril – dia acordado para o fim das hostilidades – após receberem as instruções do Quartel-General, os majores Passos Ramos, Magalhães Osório e Pereira da Silva, o alferes miliciano Palmeiro Mósca e dois guias guineenses  deslocaram-se desarmados para o local acordado com a guerrilha na zona de Jolmete, relativamente perto do aquartelamento de Pelundo. Esta seria a nona reunião entre estes cinco oficiais e os guerrilheiros. Porém este encontro terminou numa emboscada realizada por outros elementos do PAIGC e os cinco oficiais foram chacinados.

Consequentemente os contactos e conversações cessaram e reactivaram-se os combates.

Perdeu-se uma oportunidade para o fim da guerra.

O alferes Joaquim João Palmeiro Mósca, natural do Redondo (Alentejo) era regente agrícola, do meu curso de 1965, da Escola de Évora.

Excelente colega e amigo e de quem guardo grande saudade.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

Covid-19 e a gripe sazonal

Maio 20, 2020

coronavírus

Falecimentos por COVID-19 segundo os números oficialmente publicados até 20.05.2020:

  • Brasil 17.983 mortos, o que representa 0,008% da população de cerca de 209.500.000 de habitantes.
  • Espanha 27.778 mortos, o que representa 0,051% da população de cerca de 46.940.000 de habitantes.
  • Portugal 1.263 mortos, o que representa 0,012% da população de cerca de 10.280.000 de habitantes

 

No inverno de 2019 Portugal teve 3.331 mortos de gripe sazonal, o que representa 0,032% da população de cerca de 10.280.000 habitantes e não foi decretado o encerramento das fronteiras nem a paragem da economia.

 

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Cães muito perigosos – cuidado

Maio 18, 2020

Cão perigoso

Segundo o que foi noticiado nos jornais, na noite de 24 de Janeiro de 2020  duas funcionárias  do Hospital CUF de Santarém foram atacadas por dois cães de raça “pitbull” que andavam soltos na rua, tendo ficado gravemente feridas, mordidas  por esses cães. As senhoras, de 38 e 46 anos, foram de imediato assistidas nesse hospital particular e depois transportadas para o Hospital Distrital de Santarém e uma delas deverá ser sujeita a cirurgia plástica.

Passado estes meses e apesar da Polícia ter conhecimento deste triste caso, não se sabe dos cães, não se sabe quem é o dono destes animais perigosos. Não se sabe de nada…

Pergunta-se: Em caso de ataques a pessoas, os cães não devem ser abatidos? O dono dos cães não deve ir a tribunal? As vítimas não devem ser indemnizadas?

Que protecção esquisita que este país dá aos donos de animais perigosos.

Esta impunidade interessa a quem?

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

Relatório da PVDE e a 2ª. Guerra Mundial

Maio 9, 2020

 

Salazar.

Em 8 de Maio de 1945 terminou oficialmente a 2ª. Grande Guerra Mundial com a rendição incondicional das tropas nazis depois de um conflito que provocou mais de 60 milhões de mortos. Mas se terminava a guerra numa Europa destruída, as tropas do Japão não aceitaram a rendição imediata e continuaram a combater.

Com a diplomacia de Salazar, Portugal conseguiu ser considerado um país com estatuto de neutralidade durante a guerra mundial e assim se evitaram certamente muitas mortes e a invasão do território nacional. Esse estatuto facultou que durante esse período Portugal tivesse tido relações comerciais com os países dos dois lados do conflito, o que permitiu com esses negócios de guerra saldos positivos de 1941 a 1943. Não obstante, as dificuldades económicas faziam-se sentir por todo o país, onde em diversos locais havia fome e desespero que o sistema de racionamento não conseguia contornar, na medida que os bens alimentares não chegavam para toda a população e onde abundavam os casos de corrupção, sendo conhecido um relatório da PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado) para o Presidente do Governo, datado Setembro de 1943, com a informação de que existia um mercado negro, que grande parte dos bens estavam a ser contrabandeados para Espanha e que no Minho havia homens a oferecerem-se para trabalhar nas vindimas sem remuneração e a troco de alimentos.

Próximo do final da guerra e durante o Conselho de Ministros de 9 de Fevereiro de 1945, António Salazar expôs as diversas dificuldades que o Estado Novo teve que enfrentar durante o conflito (1939 / 1945) numa extensa comunicação que designou como “um exame político de consciência” tendo concluído que “no que temos razão – convencer e lutar”; “no que não temos razão – emendar”.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Centro Histórico de Santarém – um fantasma

Abril 20, 2020

Santarém - Praça Sá da Bandeira em 30.05.2017

Centro Histórico de Santarém

Foto tirada em 30 de Maio de 2017 na Praça Sá da Bandeira em Santarém onde se demonstra que não é necessário o vírus chinês para despovoar as ruas do Centro Histórico da capital do Ribatejo.

O impedimento do trânsito automóvel, a deslocalização de diversos serviços para outros pontos da cidade, o encerramento da Escola Prática de Cavalaria, etc., teve como resultado um Centro Histórico fantasma e a consequente falência do comércio local.

O problema não é só de Santarém e noutros Centros Históricos de antigas cidades isso também acontece.

Em Santarém são vários os motivos, mas aquela ideia de não deixarem passar os automóveis e dificultarem o estacionamento pode realmente melhorar a qualidade do ar, mas retira as pessoas e como não há gente nas ruas essa qualidade só é notada pelos pombos – que são uma infestação – e que em bandos voam no local.

Como é habitual, o excesso de ecologismo afasta as pessoas.

O movimento e as actividades do Centro de Santarém foram diminuindo de ano para ano e nada de semelhante com os anos sessenta e inicio dos anos setenta do século passado.

O Centro Histórico de Santarém foi de mais a menos e é necessário que o Município isente de impostos  nesse local para tentar reanimar o comércio.

O parque de estacionamento junto ao seminário deveria estar aberto durante as 24 horas e ser isento do pagamento das 17 horas às 9 da manhã para permitir algum movimento de final de tarde, acesso facilitado aos restaurantes na hora do jantar e promoção do comércio e actividades nocturnas.

O turismo religioso – completamente desaproveitado – deveria ser implementado em rotas que complementassem as visitas aos locais de culto Santarém / Tomar / Fátima.

Além da catedral e o museu, certamente as igrejas da Graça, do Santíssimo Milagre, de Marvila e Nossa Senhora da Piedade, etc. seriam motivos de visitas em Santarém.

As esplanadas dos cafés e pastelarias deveriam estar isentas de qualquer imposto, porque tal como esses espaços estão, desertos, a Câmara Municipal também não retira nada.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

 

 

Chefe do Estado

Abril 19, 2020

República portuguesa

Um Chefe de Estado, se for em Monarquia, é preparado desde criança para a função que irá desempenhar.

Um Chefe de Estado, se for em República, será escolhido em sufrágio para esse alto cargo.

Parece assim, que há a vantagem de se escolher alguém que seja o mais competente para desempenhar o cargo de Presidente da República, porque há uma escolha popular enquanto o Rei atinge essa função por legitimidade dinástica.

Na verdade, se se reflectir sobre o assunto chega-se à conclusão que a presidência numa República é alcançada não só por a competência do candidato mas, principalmente, pelos apoios partidários, sindicais, corporativos, monetários, etc.

Na República não é conduzido à presidência o mais notável mas o que reunir mais votos.

O Presidente da República estará vinculado aos apoios que recebeu. Apoios que terá que ter em consideração, em diversas ocasiões do seu mandato, porque o lugar que desempenha resultou da votação dos que foram mais ou menos influenciados a seu favor pelos partidos políticos, pelas confederações sindicais e patronais, pelas corporações e, principalmente, pelo enorme capital envolvido na campanha eleitoral.

O Rei não vota nem é votado. Não depende de influências, nem de aconselhamentos eleitorais, nem de clientelas.

Em democracia a liberdade política passa pelo respeito da opinião das minorias, mas quando no sistema republicano o Chefe do Estado foi eleito por uma maioria partidária cujas ambições terá que dar resposta, esse respeito pelos adversários políticos, por essas minorias, ficará certamente esbatido.

O Chefe do Estado em democracia parlamentar – seja ela republicana ou monárquica – terá a possibilidade de dissolver o Parlamento e a sua função deverá ser de equilíbrio, imparcialidade e moderação e não estar enfeudada a grupos de interesses e a apoios partidários.

Tal isenção é mais natural em Monarquia.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Brasão real de Portugal

Computadores para crianças

Abril 5, 2020

computador-portátil-para-crianças-magalhães

Computadores para crianças

Recordo a ideia do governo de então distribuir gratuitamente a algumas crianças, a baixo custo a outras, computadores em 2008.

Quem me conhece sabe que não votei no Partido de José Sócrates nem este é pessoa do meu agrado, porém nem tudo o que foi do seu governo estaria mal feito.

Por exemplo, o conceito de distribuir computadores nas escolas primárias foi uma medida de grande alcance.

Os computadores Magalhães para crianças eram montados em Portugal, numa empresa portuguesa, foram distribuídos nas escolas e só assim alguns milhares de alunos do ensino primário tiveram acesso, pela primeira vez, a esse tipo de equipamento informático.

Pena o governo seguinte não ter continuado com a ideia, mas em Portugal raramente um governo aproveita as ideias do anterior.

Agora fazem falta esses computadores. Agora, quando a telescola irá ser retomada em virtude do surto do “coronavírus”, mas tanto Passos Coelho como António Costa não tiveram essa iniciativa. Foi pena…

Em Portugal quase todos os governos e oposições têm tido atitudes bem estranhas e de pequena política ao longo destes 46 anos.

Quase sempre um navegar à vista.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Bandeira e hino nacional

Abril 2, 2020

Bandeira nacional

“No começo de 1911 o conservadorismo português exigia que se guardasse a bandeira azul e branca na Monarquia (sem a coroa), em vez de a substituir pela bandeira encarnada e verde do Partido Republicano Português; que o hino nacional fosse a “Maria da Fonte” e não a “Portuguesa”.

Vasco Pulido Valente  –  Portugal – Ensaios da História de Portugal

 

Na verdade a bandeira verde e encarnada começou por aparecer nos comícios republicanos que se realizavam em Lisboa e no Porto antes da queda da Monarquia. Comícios que eram garantidos com a presença da Guarda Municipal, conforme determinavam as leis da democracia no reinado de Dom Carlos I, onde compareciam, em grande número,  elementos com tendências revolucionárias, republicanos, socialistas, anarquistas, iberistas, etc..

Mas essas bandeiras com as cores verde e encarnada eram inicialmente empunhadas por elementos de um movimento ibérico que defendia uma federação de repúblicas unidas na Península Ibérica com a fusão de Portugal e Espanha num único país. Esse movimento com os ideais ibéricos, republicanos, socialistas e maçónicos preconizava um país constituído por sete regiões federadas, sendo cinco de Espanha e duas de Portugal e aparecia identificado nos comícios com a tal bandeira bicolor, verde e encarnada, que mais tarde foi adoptada pelo Partido Republicano Português (PRP) e que a definiu como bandeira portuguesa após a implantação da República, acrescentando a esfera armilar e o escudo de Portugal.

O PRP também definiu a ”A Portuguesa” como hino nacional, não aceitando o “hino da Maria da Fonte” como era defendido pelos republicanos moderados.

Curiosamente os acordes do “hino da Maria da Fonte” continuou a ser tocado até hoje no inicio das touradas em Portugal e antes das cortesias. Ficou nas Praças de Toiros de Portugal essa reminiscência da Monarquia e todos os espectadores se levantam e se descobrem quando isso acontece e em sinal de respeito nacional. Ficou essa tradição. Uma bonita tradição.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=jczpiOZKcbM