Um mundo cão

Novembro 13, 2018

Deficientes

No último programa da RTP intitulado “Prós e Contras” e sob o tema “Vidas Suspensas” onde foram abordados problemas concretos de cuidadores informais que tratam e acompanham diariamente pessoas com deficiência e que não têm apoio do Estado.

No programa a ausência de qualquer responsável do Governo da República foi total, não obstante de lhes terem sido enviado convites.

Estranho país é este onde a tentativa de humanização dos cães e gatos parece ser mais importante do que das pessoas desfavorecidas.

Como é que os deputados se entretêm a conversar e engendrar leis para retirar os animais do circo; substituir o canil pelo conceito de parque de bem-estar onde os animais possam circular livremente; permissão da entrada dos cães nos restaurantes; abolir os cavalos nas charretes, exterminar as touradas, etc., e não auxiliam quem optou por cuidar dos seus familiares deixando de ter um emprego? Quanto custaria este serviço se fosse feito pelo Estado?

Neste programa da RTP1 coordenado por Fátima Campos Ferreira nenhum responsável pelo Governo aceitou o convite para estar presente. Desprezo total por milhares de situações bem difíceis e muito mais importantes do que as preocupações parlamentares do mundo do cão.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

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Na praça de toiros

Novembro 10, 2018

Vitor Ribeiro 19.05.2018

Na praça de toiros

A Festa Brava é um misto de arte, movimento, cor, angustia, alegria…tudo isso num equilíbrio fugaz de vida e morte.

Tem rituais, tem dignidade. Tem regras e honra. Tem o toiro, que é a essência da Festa. Tem garbosos cavalos. Tem a música e o silêncio do perigo. Tem o sol e a sombra.

Tem toureiros, forcados e campinos que se vestiram a rigor sabendo que pode ter sido pela última vez.

Tem o sorriso de mulher, as flores, os aplausos.

Tem a sensibilidade dos que dela querem participar e entender. É cultura.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

 

–Na foto o cavaleiro Vitor Ribeiro na Arena d’Évora em 19.05.2018

A falta de cultura da Ministra

Novembro 1, 2018

Henrique Monteiro

Li com atenção o artigo intitulado “Touradas e Civilização”, publicado no Expresso em 31 de Outubro de 2018 e gostei do texto.

Henrique Monteiro não sendo aficionado tem opinião e nota-se que conhece o assunto, ao contrário de muitos animalistas que dizem que não gostam das touradas mas nunca viram nenhuma e escrevem sobre o que não sabem. Assim, Henrique Monteiro diz que viu só uma tourada mas nem por isso se sentiu atraído, razão porque não entrou mais numa Praça de Toiros para esse efeito.

Porém, chama a atenção da Ministra que tem a tutela da Tauromaquia e que a ela se referiu com desdém, demonstrando que a tourada não é de seu agrado. E isso é grave, alguém ter o poder político sobre algo que não gosta, o que quer dizer que irá contrariar todos os assuntos taurinos e que necessitem do seu parecer ou consentimento.

Portanto, poderemos chegar à conclusão que o Primeiro-Ministro entregou a Cultura a quem não a tenciona defender, nomeadamente a Cultura Tradicional e Popular como é a Tauromaquia.

Talvez porque a remodelação ministerial foi feita um pouco à pressa – porque o Primeiro-Ministro no dia anterior garantiu que não haveria substituição de Ministros – o que acontece é que houve alguma ligeireza ao nomear para a Cultura quem não a defende devidamente, quem não tem abrangência cultural suficiente para exercer o cargo.

“A civilização é um produto da cultura, e é tudo menos instantânea. É produto de séculos.” – Observou e muito bem Henrique Monteiro no seu artigo.

Instantânea – pareceu-me a mim – foi a ligeireza na nomeação de Graça Fonseca  para Ministra. Alguém que deveria ser protectora e não destruidora da cultura.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Artigo “Touradas e Civilização” (Expresso):

https://leitor.expresso.pt/diario/quarta-2/html/caderno1/opiniao/Touradas-e-civilizacao?fbclid=IwAR1eVIskYP_eNTe-NArDFZqLq6USs2Jnk9C1vK-HW1GhadABGKfcxCPljQ0

Pega de caras – momentos de toureio

Outubro 28, 2018

Grupo de Forcados Amadores de Évora - 1964

Pega de caras

Na pega de caras, o mais importante é o forcado saber estar em frente do toiro durante o cite.

Assim, quando no cite o forcado “pára” (marcando a figura), quando “manda” (provocando a investida do toiro), quando “templa” (recuando e trazendo o toiro para dentro do Grupo) há momentos de toureio. A trilogia que Belmonte se referiu a explicar o toureio:

 Parar, Mandar e Templar.

No cite da pega de caras e quando acontecem esses 3 momentos só os aficionados entendem. O que todos entendem e levanta o público a aplaudir é o forcado consentir o toiro sem adiantar as mãos, fechar-se tapando-lhe a cara e aguentando os derrotes.

Então está realizada a arte mais portuguesa da tauromaquia: a pega de caras, o invento nacional sem qualquer influência estrangeira.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

 

Na foto: Pega de caras de Evaristo Cutileiro, do Grupo de Forcados Amadores de Évora – Praça de Toiros de Évora – Setembro de 1964

 

 

 

 

 

O candidato Bolsonaro

Outubro 18, 2018

O pré-candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro - Foto Orlando Brito

Candidato à Presidência da República do Brasil, Jair Bolsonaro, com 46% dos votos quase foi eleito na primeira volta e provavelmente será o próximo Presidente.

Logo no dia seguinte e na apreciação dos resultados o Chefe do Estado de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa terá manifestado o seu desencanto pelo resultado eleitoral e depois outros políticos portugueses também enviaram umas mensagens para o outro lado do Atlântico como querendo recomendar ao povo brasileiro o que deveria fazer. Assim, Diogo Freitas do Amaral avisou que o candidato da direita é “um fenómeno perigoso e que é necessário alertar os eleitores para a consequência da sua vitória”. Outras 80 personalidades com destaque para Francisco Pinto Balsemão, Eduardo Lourenço, Manuel Alegre e Pacheco Pereira, assinaram um manifesto para os brasileiros lerem, frisando que “o candidato promove uma cultura de ódio”. Também o euro deputado Carlos Zorrinho muito atento, alertou na Antena 1 que “este candidato representa o fascismo no Brasil”. Nem mais!

Assim e por exclusão de partes, portugueses e brasileiros ficaram a saber que os eleitores no Brasil e neste segundo turno devem votar no candidato do Partido dos Trabalhadores Fernando Haddad. O recado está dado.

Porém, poderemos também pensar, reflectir, sobre se estes conselheiros também fizeram recomendações para o Brasil aquando das eleições de Lula da Silva e de Dilma Rousseff ou se então consideraram que o povo brasileiro estava bem esclarecido.

Será que os brasileiros desaprenderam e que agora votam mal?

Não será uma tentativa destes políticos e comentadores portugueses quererem imiscuir-se nas decisões soberanas do povo brasileiro?

Não estará o Brasil farto da corrupção, da violência, dos roubos e que prefere agora experimentar uma outra política que proporcione a Ordem e o Progresso no país, como consta na sua bandeira nacional?

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

Bandeira do Brasil

 

Novos retornados

Outubro 10, 2018

Venezuela com fome

Há países como o Brasil, França, Estados Unidos, Canadá, que sempre receberam os nossos emigrantes que lá orientaram as suas vidas e que contribuíram também para o desenvolvimento dessas nações. Tal também aconteceu na Venezuela onde tradicionalmente milhares de portugueses para lá emigraram e contribuíram com o seu esforço de trabalho e muitos fizeram fortuna tendo sido considerados empresários de sucesso.

Também a Venezuela foi um dos países que recebeu um grupo importante de portugueses que tentou refazer a sua vida depois de terem sido espoliados nas ocupações das propriedades nos anos seguintes à revolução do 25 de Abril de 1974.

Hoje a Venezuela atravessa um dos piores momentos da sua história em consequência da experiência socialista imposta por Hugo Chávez desde 1998 – a que chamou de Revolução Bolivariana – e que depois da sua morte foi prosseguida por Nicolás Maduro, que conduziu o país à miséria e fome. Em consequência muitos milhares de venezuelanos fugiram para a Colômbia, Peru, Equador, Chile, Argentina, Panamá e Brasil e muitos mais o tentam fazer.

Isto a propósito de uma notícia emanada pelo governo português que se propõe receber portugueses e lusodescendentes estando a providenciar nesse sentido.

Parece ser uma resolução acertada de auxílio a quem deseja retornar a Portugal. Sendo um tipo de migrantes/refugiados com mais afinidades ao nosso povo do que os muçulmanos do norte de África que têm muito maiores dificuldades de integração na nossa cultura e que em muitos casos não respeitam as tradições dos países europeus de acolhimento.

Portugal é um pequeno país com escassos recursos e que tem uma capacidade de acolhimento limitada, não podendo portanto abrir as fronteiras para entrar quem quiser.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Uma opção política

Outubro 7, 2018

Fogo em Sintra

O negócio dos incêndios que envolve aviões, equipamentos, viaturas, etc., em valores abismais tem estado, nos últimos anos em Portugal, em grande crescimento.

Porém, admitia-se que este ano já tinham atingido os objectivos. Mas não, lá andam os incendiários a actuar a mando de alguém que ganha muito com estas situações. Foi um pavor na serra do Algarve. Agora na floresta em Sintra.

Não seria mais económico e eficaz forças militares patrulhando as matas e afastando com a sua presença a ganância dos incendiários criminosos?

Para esse efeito poderia o pessoal ser recrutado num Serviço Militar Obrigatório e as tropas especializadas nessas operações teriam custos muito menores num trabalho de sapadores na prevenção dos fogos do que todo este envolvimento de milhares de bombeiros, centenas de viaturas e dezenas de aviões em acções de combate aos incêndios florestais.

Tudo passa por opção política. Uma opção que certamente iria diminuir os pavorosos números anuais de fogos postos.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

 

Sem as dores do parto

Setembro 25, 2018

Paneleiro da Casa Real britânica

Em Maio deste ano completaram-se 50 anos sobre um movimento contestatário que começou em Paris e no ambiente estudantil mas que rapidamente se estendeu a toda a França e a muitas latitudes do mundo.

Primeiro os estudantes universitários e depois os trabalhadores em greves e manifestações de dimensões tais que o governo chefiado por Charles De Gaulle estremeceu.

As universidades de Nanterre e de Sorbonne lideraram o processo e a polícia reprimiu com violência os estudantes, que com violência tinham começado a contestação.

Era “proibido proibir” e o Partido Comunista Francês – parecendo pouco inspirado nas políticas da União Soviética, onde a democracia e as liberdades de expressão eram proibidas – apoiou os manifestantes. As greves atingiram o número absurdo de 7 milhões de aderentes.

Le patron a besoin de toi, tu n’as pas besoin de lui” (O patrão precisa de ti, tu não precisas do patrão) – uma das frases emblemáticas.

Era preciso mudar tudo, nada ficar como dantes e não se proibir nada!

O que aconteceu 50 anos depois, nesta Europa sem rumo?

Sem se querer proibir parece mal contrariar umas minorias. A tal ideia de 1968, de nada proibir deu uma volta completa e não se podem ofender determinadas mentes protegidas pelos próprios Governos. Assim, em Portugal é preciso muito cuidado com o vocabulário, não obstante a Constituição da República Portuguesa referir que o “exercício dos direitos do povo não poder ser impedido ou limitado por qualquer tipo de forma de censura”.

Mas eles andam por aí fazendo a sua censura, nos jornais, na rádio, nas televisões, nas redes sociais da internet. Censuram onde podem.

Os exemplos são muitos: Cigano não – etnia cigana sim; Pobre não – desfavorecido sim; Paneleiro não – gay sim; Vício não – dependência sim, Negro não – afro-descendente sim. Muitos mais exemplos poderiam aqui ser explanados, como Criada que deve ser agora empregada de actividades domésticas; Velho já não se escreve, mas sim idoso, etc., etc.

Um mundo estranho de conceitos e preconceitos muito apadrinhados por Partidos Políticos que se consideram ao lado do povo, de uma esquerda caviar de militância vocabular, muito triste mas de cara alegre e cheia de etiquetas que conseguem passar estas ideias a outras agremiações também partidárias que em vez de as repelir baixam a cabeça obedientes.

Então o termo “casamento” foi estendido a qualquer parelha de maricas ou lésbicas, numa confusão de termos que nada tem a ver com a Família.

Assim, vai a Europa e mais algumas partes do mundo que também deseja estar à moda.

Moda que se instalou também próximo da Casa Real Britânica que festejou agora, numa capela protestante, uma união homossexual a que também chamaram “casamento”.

Se a moda se estender às outras Monarquias os nascimentos continuarão a diminuir – pondo em risco a linha sucessória – porque estes “casais” não sentem as dores do parto.

A não ser que com o “brexit” este modelo real fique por lá.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

— Na foto e com a felicidade no olhar, o Lord Ivar Mountbatten – primo da rainha Isabel II – que saiu do armário para “casar” com o James Coyle.

 

Um primeiro ministro em Angola

Setembro 17, 2018

Falta de respeito

António Costa de calças de ganga em visita oficial a Angola

Muito do desempenho de um primeiro-ministro aprende-se na escola, na formação constante, na realidade do confronto dos problemas a resolver nas empresas por onde passou – isto no caso de não ser só político – na vivência laboral, etc. Mas há um “saber estar” – que só é saber se souber estar – que se aprende em ambiente familiar. Porém 4 ou 5 irmãos podem ter comportamentos diferentes não obstante terem tido a mesma educação familiar, o que quer dizer que há os que tiveram isso tudo, família, escola, formação contínua, experiência profissional e que até sabem fazer discursos políticos, mas que lhes falta esse “saber estar” que pode trazer situações embaraçosas para si, para os seus, para a empresa onde trabalha. Pior, muito pior, quando essas atitudes colocam mal o país e são inerentes a posturas menos próprias de alguém que deveria representar com dignidade o Estado.

Dom Miguel legítimo rei de Portugal

Setembro 1, 2018

bandeira nacional monarquica

Dom Pedro I, Imperador do Brasil, sendo monarca de um país estrangeiro não deveria ter retornado a Portugal e ao fazê-lo só provocou uma guerra civil, medonha e desnecessária de 1828 a 1834.

Ao assumir a independência do Brasil e ao ter sido coroado imperador daquele imenso território, o legitimo herdeiro do trono de Portugal na linha da sucessão, seria e foi o seu irmão Dom Miguel. Aliás, esse era o entendimento de grande parte do povo, do clero e da nobreza, com o argumento que Dom Pedro já não seria português e portanto não deveria ser o soberano.

Alguns que lutaram ao lado de Dom Pedro vieram mais tarde a arrepender-se, como foi o caso de Alexandre Herculano.

Por outro lado Dom Pedro é abusivamente considerado por alguns historiadores como rei de Portugal, porque nunca o chegou a ser. Quando desembarcou na Ilha Terceira em 3 de Março de 1832, assumiu-se como regente do Reino em nome da sua filha Dona Maria II.

Em 1834 foi assinada a Convenção de Évora-Monte, em 24 de Maio, que pôs fim à guerra civil e em 24 de Setembro faleceu Dom Pedro no palácio de Queluz. Não foi rei de Portugal, foi sim imperador do Brasil.

Durante a prolongada guerra civil declarada pelo imperador do Brasil e com a intenção de colocar no trono real de Portugal a sua filha Maria da Glória, a bandeira usada pelas forças de Dom Pedro era azul e branca e depois foi considerada a bandeira do Reino de Portugal. Até aí a bandeira nacional era branca e com as armas reais.

Manuel Peralta Godinho e Cunha