“Tiradentes” e o “Montanha”

Setembro 16, 2019

Tiradentes Tiradentes, segundo gravura da época

Relacionado com a “Inconfidência Mineira” o alferes Joaquim José da Silva Xavier “Tiradentes” foi condenado à morte por enforcamento e executado em Abril de 1792.

Esse é o aspecto mais conhecido e por isso é considerado um herói no Brasil por ter chefiado a conjura destinada à independência do território correspondente à capitania de Minas Gerais e para instaurar aí um novo país e uma república com a capital em São João d’El Rei.

Acontece que um tempo antes, quando nas florestas entre Vila Rica e o Rio de Janeiro actuavam uns bandos de bandidos onde se destacavam o célebre “Montanha” e o cigano José Galvão, que não só roubavam as populações mas também assassinaram violentamente muitas pessoas, foi iniciada uma acção armada para resolver a situação.

É conhecido, por registos da época, que o “Tiradentes” foi integrado nas forças do coronel José Aires Gomes numa missão de limpeza desses bandos de assassinos e após alguns meses de combates essas quadrilhas foram completamente aniquiladas em 1786.

Uns anos mais tarde é que um grupo de conjurados resolveu actuar no sentido da independência de Minas Gerais, plano que não resultou talvez porque esses revolucionários mineiros não tiveram uma visão global do território brasileiro mas sim na independência parcial de Minas Gerais.

Esse movimento foi denominado “Inconfidência Mineira” que – ao contrário do que alguns pretendem relacionar – não teve a influência das ideias da Revolução Francesa porque a tomada da Bastilha foi um mês depois do começo do processo judicial que condenou o “Tiradentes” e os seus correlegionários.

Como é do conhecimento geral o Brasil só se tornou independente cerca de 30 anos depois e por um príncipe português o ter declarado.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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As coimas

Setembro 6, 2019

Cães nas cidades

No Jornal I de hoje – 6 de Setembro de 2019 – António Luís Marinho na sua crónica “Vamos andar às beatas!” faz a antevisão da dificuldade de se executarem as multas a quem atirar as pontas dos cigarros para a via pública, quando a Lei passar a ser aplicada a partir de Agosto do próximo ano de 2020.

Isto porque e conforme escreveu o articulista já existe a Lei para penalizar os passeantes de cães com as coimas previstas mas “só um fiscal da câmara acompanhado por um polícia municipal é que pode multar os donos prevaricadores”.

Lei há, mas a sua eficiência é quase nula se verificarmos o que se passa em todas as cidades do país com as ruas sujas dos cães. Quem tem cão já está habituado, mas quem não tem terá que ter muito cuidado para não andar de sapatos sujos dada a imundície que as Câmaras não querem ou não conseguem evitar. Isto no que se refere às fezes dos canídeos, porque o cheiro a urina não tem legislação para o evitar.

Em termos do ambiente e de poluição, pior do que os dejectos dos cães são as pontas dos cigarros e provavelmente será mais uma Lei que estará escrita e publicada mas de difícil execução.

Passeantes de cães e fumadores se não tiverem um mínimo conceito de cidadania, a limpeza dos espaços públicos continuará a não se verificar porque a eficácia da higiene camarária é semi-inexistente em quase todas as povoações e a eficiência das multas só se verifica, e muito, nos estacionamentos indevidos dos automóveis.

Na verdade pode o policiamento ser imperfeito para a segurança das cidades como é fácil de demonstrar dados os escassos efectivos das Polícias, mas para as coimas dos estacionamentos proibidos há uma redobrada atenção e certamente avultada captação de verbas para as Câmaras Municipais. Tal eficiência não poderá ser também extensiva à negligência dos passeadores de cães e aos atiradores de pontas de cigarros?

Manuel Peralta Godinho e Cunha

As voltas da democracia

Agosto 29, 2019

Boris Johnson-Primeiro.Ministro britânico

Em democracia nem sempre quem ganhou as eleições governa – como é o caso português – e o que se pretende é que haja legitimidade democrática como se pode observar na Grã-Bretanha, onde o Partido Conservador continua a governar mas com escassa maioria.

O Parlamento que tem estado a funcionar desde Junho de 2017 parece que será suspenso até 14 de Outubro por iniciativa do actual Primeiro-Ministro que conta com um deputado do Partido Unionista para ter maioria e poder aprovar seja o que for.

O Primeiro-Ministro Boris Johnson que aqui está na foto com o cabelo pintado de loiro e o penteado modernaço. Já lá vai o tempo que os primeiros-ministros dos governos britânicos de Sua Majestade tinham aquele ar solene e senhorial. Isso está completamente ultrapassado. Esta personalidade resultou da recente modificação do líder dos conservadores e depois de ter sido substituída a senhora Theresa May.

O encerramento do Parlamento tem legitimidade democrática, mas não deixa de ser muito curioso que essa legitimidade possa ser aproveitada para o fecho temporário da casa da democracia. Encerramento que, para já, corta com o prolongamento de mais discussões sobre o acordo com a União Europeia sobre o “Brexit” – a saída da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte

Aliás. como afirmou o senhor Boris Johnson imediatamente após a demissão da senhora May:

 “– Com ou sem acordo o Reino Unido sairá da União Europeia dia 31 de Outubro!”

Mais uma preocupação para Sua Majestade a rainha Isabel II, num final de reinado que se adivinha bem complicado.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Brasão do Governo do Reino Unido

Cabinda e a tentação de independência

Agosto 27, 2019

Mapa de Angola

Há quem defenda a ideia de que Portugal fez mal ao incluir administrativamente Cabinda em Angola. Primeiro porque é um território distinto e completamente afastado e depois por o seu povo não ter afinidade com os povos de Angola.

Se tal não tem acontecido, hoje Cabinda seria um território completamente independente de Angola e o seu povo teria os benefícios da exploração de petróleo e grande parte desses resultados não seriam encaminhados para Luanda.

Na verdade destacou-se em Cabinda e desde 1962, entre outros, um movimento separatista e contra a soberania portuguesa denominado Frente para a Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC).

Após a revolução de 25 de Abril de 1974, o regime influenciado pelos militares conotados com o Partido Comunista Português e com a União Soviética, com destaque para o almirante Rosa Coutinho e o coronel Vasco Gonçalves e mais alguns oficiais do Conselho da revolução, Cabinda passou a estar dependente do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA). Com a Guerra Civil Angolana, desenvolvida após a independência e que durou desde 1975 a 2002 e que foi ganha pelo MPLA – movimento com conotação marxista-leninista – com significativo apoio de Cuba, os defensores de uma Cabinda independente de Angola foram completamente neutralizados e homologada a incorporação de Cabinda no território angolano pelo Acordo de Cabinda negociado no Congo-Brazaville em Julho de 2006 e assinado em Agosto do mesmo ano em território angolano.

A derrocada do sistema comunista da União Soviética em 1987 teve influência na alteração do modelo de Estado em Angola e a Lei Fundamental que foi revogada em Luanda em Fevereiro de 2010 representou o processo de transição constitucional com a aprovação, na Assembleia do Povo, da democracia multipartidária, das garantias dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e do sistema económico de mercado.

Porém o pequeno território de Cabinda foi confirmado como sendo umas das 18 províncias de Angola não obstante ser um enclave geográfico descontínuo do país.

Os movimentos que durante anos se bateram pela independência de Cabinda – um território que não consideravam angolano mas sim um “Protectorado Português” desde que as autoridades locais representantes dos reinos de Cabinda (Kakondo, Loango e Ngolo) e o comandante da corveta “Rainha de Portugal”, capitão-tenente Guilherme Augusto de Brito Capello, acordaram no chamado “Tratado de Simulambuco” de 1 de Fevereiro de 1885 e que certificava a autonomia do enclave de Cabinda face aos outros territórios ultramarinos de Portugal. Tratado assinado antes da Conferência de Berlim que confirmou a divisão de África pelas potências europeias.

Além das riquezas resultantes do petróleo e das excelentes madeiras, o pequeno enclave de Cabinda – com cerca de 7.680 Km2 – possui cobre, diamantes, fosfatos, ferro, ouro, potássio e urânio, terras férteis para as culturas agrícolas e uma costa privilegiada para a navegação e que proporciona a grande parte do povo cabinda a histórica tentação separatista e de autodeterminação alegando diferenças culturais e económicas com Angola e existindo um “Governo de Cabinda no exílio” sediado em Paris.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Bandeira de Cabinda  Bandeira de Cabinda

Lítio

Agosto 25, 2019

Manifestação na serra da Esyrela comtra a exploração de lítio-2019

Várias dezenas de pessoas manifestaram-se hoje na serra da Estrela contra a exploração do lítio em Portugal., desenharam a “árvore da vida” e deitaram-se no chão num protesto ambientalista.

A mineração do lítio é uma preocupação ambiental e a exploração desse mineral acarretará o prejuízo na “qualidade de vida das populações, dos ecossistemas e do próprio ambiente”, dizem.

Parece ser evidente que Portugal tem lítio que poderá ser extraído a partir de certo tipo de rochas e os países que têm esta matéria-prima vendem-na para a construção de baterias destinadas a telemóveis, computadores portáteis, câmaras digitais, leitores de mp3, etc.

Se o tipo de lítio existente em Portugal servirá ou não para essas baterias, parece ainda ser objecto de estudo, dado que o que interessa para essa indústria é o lítio em forma de carbonato, conforme o parecer técnico dos especialistas.

Estando indicado Portugal como um hipotético grande produtor na Europa, não obstante em outras partes do mundo, como o Chile, a Austrália e a Bolívia terem reservas muito maiores.

Claro que qualquer exploração mineira e ou produção industrial terá, sempre, problemas ambientais.

Porém – e há sempre um porém – será que os manifestantes de hoje na serra da Estrela já dispensaram o uso de telemóveis ou cada um dos que se deitaram no chão, para tirar a fotografia, teria um no bolso?

Realmente, se o lítio das baterias desses telemóveis foi extraído na Austrália ou no Chile a distância é significativa e, por cá, estaremos mais confortavelmente descansados…

Mas há que ter coerência!

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Manifestação conta a exploração do lítio-2019

 

 

Agora… mais um Serviço de Saúde!

Agosto 23, 2019

Cão apaneleirado

Talvez pelas notícias neste verão, neste mês de Agosto serem menos, para além da greve dos motoristas de matérias perigosas e da reabertura dos campeonatos de futebol, com a aproximação da campanha eleitoral aparecem agora e em todos os jornais e telejornais novidades relacionadas com mais uma proposta que o senhor dos animais fez ao seu eleitorado de passeadores de cães e que é de brandar aos céus…

De um momento para o outro, o Partido que esse senhor representa faz a proposta de no país passar a haver um serviço nacional de saúde para cães e gatos. Quer dizer, qualquer português tenha ou não bicharada terá que contribuir para esse hipotético serviço. Isto quando o Serviço Nacional de Saúde – para as pessoas – está cada vez pior, com falta de médicos e enfermeiros, com falta de equipamentos e medicamentos, como nunca esteve.

Em democracia há que esperar qualquer proposta, mesmo que esteja rodeada de uma estupidez profunda, mas não se deve exagerar!

O senhor dos animais, convencido que terá um futuro grupo parlamentar necessário nas votações para fazer maioria do próximo governo, avança já com cães e gatos como uma prioridade nacional.

Assim vai a República!

Manuel Peralta Godinho e Cunha

A Itália e os Migrantes

Agosto 16, 2019

Rede Europeia de Migrações

O povo italiano começa a interrogar-se se deve e pode receber mais migrantes que deambulam no Mediterrâneo, colocados em frágeis barcos pelos traficantes de seres humanos que depois de receberem elevadas verbas pagas por cada elemento que deseja fugir dos conflitos armados e que, sem condições, têm a esperança de serem recolhidos por navios que cada vez os esperam mais perto do norte de África, sabe-se lá se alguns desses em estreita colaboração com os traficantes. A máfia do tráfego de seres humanos têm-se agigantado e só pode fugir para a Europa quem lhes paga e bem.

A Itália, Grécia e vários países da Europa com destaque para a Suécia, têm seguido as instruções da chanceler Merkel que recomendou ao povo alemão e à União Europeia para receber, de portas abertas, quem de África quisesse fugir. Mas há parte do povo desses países europeus – e que também são eleitores – que não acredita na bondade de tanta gente interessada em trazer para a Europa milhões de muçulmanos, porque o que se tem verificado é que uma elevada percentagem desses migrantes não se integram nos países de acolhimento.

Mas a Alemanha, a mesma Alemanha que se recorda dos horrores da Segunda Guerra Mundial e que agora a senhora Merkel pretende parecer desejosa de apagar pesadelos antigos ao querer auxiliar os desprotegidos, não obstante ter em 2010 cerca de 47% dos alemães a se manifestar nas sondagens de que o “Islão não tem lugar na Alemanha” e em Maio de 2016, numa outra sondagem. esse número ter aumentado para 60%.

O que parece é que há grande interesse em negócios que são inerentes à movimentação migratória. Se esses movimentos se reduzirem muito, quanto menos visíveis forem, mais os autoproclamados defensores dos povos migrantes, como a Rede Europeia das Migrações e outras, terão dificuldade em justificar a sua presença, os seus postos de trabalho e o recebimento das elevadas verbas destinadas para tal.

Isto tudo a propósito de grande parte da imprensa portuguesa registar nos comentários dos seus escribas um profundo ataque ao Ministro do Interior de Itália, senhor Matteo Salvini, que disse não poder continuar com as portas escancaradas de uma Itália que já recebeu muitos milhares de migrantes, uns refugiados políticos, outros fugindo da miséria, outros querendo reorganizar a vida, alguns querendo destabilizar com bombas e atentados suicidas e quase todos com dificuldades de adaptação nos países de acolhimento.

Tudo tem um limite e muitos europeus já chegaram à conclusão que “os povos da Europa podem ter compreendido finalmente que o seu futuro está em jogo”, como já foi afirmado por um alto dirigente europeu que acrescentou: “ A imigração em massa é um lento fio de água que persistentemente vai provocando a erosão das costas. Mascara-se de causa humanitária, mas a sua verdadeira natureza é a ocupação do território.”

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Com mais ou menos votos

Agosto 7, 2019

Eleições legislativas 2015

Nas eleições legislativas de 4 de Outubro de 2015 o Partido Socialista teve 32,3% dos votantes e que representa somente 18% de todos os inscritos.

O PAN teve 1,38% dos votantes, que realmente representa 0,77 % de todo o eleitorado.

A abstenção foi de 44,14% – putativa vencedora das eleições.

Uma menor abstenção modificaria totalmente estas percentagens eleitorais.

Outros Partidos Políticos poderiam aqui ser colocados com os respectivos números de votos e o total dá para pensar como o país pode ser governado em “geringonça” com uma tão reduzida percentagem de votantes.

É assim a democracia. Porém, o mais preocupante é que mais de 44% dos eleitores não quererem saber quem governa nem quem são os deputados em Portugal.

Mais de 44% dos eleitores inscritos fica indiferente com a orientação política do país e aparentemente não tem nada a dizer sobre o assunto.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

Cães de luxo

Agosto 2, 2019

Cadela de luxo

A grande maioria dos aficionados tauromáquicos e caçadores sempre gostaram de tratar bem os animais, nomeadamente os cães, mas considerando que estes precisam de espaço adequado e viver na sua condição e não – como agora é moda em apartamentos de cidade – querendo elevar o animal à condição de elemento da família, comendo com ele à mesa e dormindo na cama do dono/a numa promiscuidade inquietante.

Isto a propósito de um interessantíssimo artigo publicado no semanário “Correio do Ribatejo” de 19 de Julho de 2019, intitulado “Touradas e Fundamentalismos” e assinado pelo conceituado cronista Ludgero Mendes e com a devida vénia se destaca:

“Confinar um cão a uma varanda de apartamento, passea-lo apenas no horário favorável do seu dono – ou será tutor? – castrá-lo e sujeita-lo a comer ração granulada, será proporcionar-lhe bem estar?”

Nunca se viu tantos cães nas cidades, nem nunca se viu tantas cidades sujas dos cães, não obstante a satisfação dos proprietários das  clínicas veterinárias criadas para o efeito e os  rasgados sorrisos dos responsáveis das fábricas de rações.

 

 

Imigrantes muçulmanos

Julho 28, 2019

Muçulmanos na Europa

No livro “A Alemanha se extingue a si mesma” o autor alerta para a invasão maciça de muçulmanos na Europa, nomeadamente na Alemanha, e que esses migrantes “devido à sua origem social são menos inteligentes e preparados do que a maioria do povo alemão” e como os muçulmanos oriundos do norte de África têm muitos filhos de várias mulheres, “o nível do quociente da inteligência da população na Alemanha estará caindo.”

Opinião aceite por 20% da população alemã, segundo uma sondagem realizada para o efeito.

O livro de Thilo Sarrazin, ex-director do Banco Central Alemão e ex-deputado do Partido Social Democrata (SPD) foi um “best-seller” na Alemanha e aborda, entre outros assuntos, a questão dos migrantes muçulmanos relacionada com o benefício que têm na Previdência Social do país de acolhimento e sem nada terem contribuído para isso.

Não obstante a argumentação da chanceler Angela Merkel e de vários intelectuais considerarem as controversas opiniões de Thilo Sarrazin sobre a integração deste tipo de imigrantes e classificarem as “ideias tolas” deste autor, o que é uma realidade é que após o lançamento do livro na Alemanha em Agosto de 2010 e só nos primeiros 20 dias foram vendidos cerca de 650.000 exemplares.

Numa entrevista ao semanário “Die Zeit” o autor deste livro afirmou:

“Não sou racista, o livro aborda conceitos culturais, não éticos”.

Na verdade o livro manifesta pensamentos que devem ser de reflexão e debate sobre se todos os países da União Europeia estão dispostos a acolher mais imigrantes muçulmanos, se de facto este tipo de migrantes se conseguem integrar e trabalhar ou se há sim a ideia perversa de que estes irão realizar trabalhos a preço mais baixo e profissões menos dignificantes, que os europeus já não querem fazer.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Thilo Sarrazin-político alemão