A tauromaquia no Parlamento

Junho 23, 2018

Deputado Nuno Serra Nuno Serra

Uma votação na Assembleia da República que seja desfavorável à tauromaquia poderá colocar em causa a realização de espectáculos tauromáquicos.

Não é caso inédito na Península Ibérica, como já aconteceu na Catalunha em 28 de Junho do ano de 2010, onde por uma escassa maioria de “antitaurinos-animalistas” as corridas passaram a ser proibidas naquela região de Espanha o que proporcionou grande satisfação aos partidários da “Esquerra Republicana de Catalunya”.

Como se sabe que muitos aficionados em Portugal não votam – ou votam em branco – por estarem desgostosos com as políticas do país, acontece que os “antitaurinos-animalistas” já conseguiram ter um representante no Parlamento e com o suporte de mais de 75.000 votos nessas eleições e a respectiva elevada percentagem eleitoral.

Como os Partidos ligados à extrema esquerda portuguesa com assento parlamentar também são contra as corridas de toiros, é muito importante que os aficionados saibam que há deputados a favor da tauromaquia como é o caso do Engº. Nuno Serra que esta semana publicou no semanário “Correio do Ribatejo” um artigo muito interessante e denominado “Novamente as Touradas”, onde poderemos realçar a seguinte e sábia opinião relacionada com os que querem terminar com as touradas:

São urbanos depressivos, que não conhecem nem compreendem o seu País, que nunca lutaram pela defesa da liberdade de opinião, onde os Homens conquistaram o direito de poder escolher o que querem ouvir, que tentam destruir as nossa referências, substituindo-as por outras”.

Nem mais.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

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Uma França mais tradicionalista

Junho 21, 2018

França retorno ao catolicismo tradicional2018.png

Em França parece haver um retorno ao catolicismo tradicional e afastamento do catolicismo revolucionário.

O moderno “catolicismo praticante” engrossa as manifestações contra o “casamento homossexual” e outras propostas das esquerdas radicais.

A realidade francesa está a mudar e há uma oposição generalizada ao aumento assustador de migrantes das Arábias que são contra os símbolos católicos e cultura cristã da França tradicional e que se têm notado nos ataques terroristas verificados em território francês nos últimos anos.

Parece haver da parte da população francesa uma forte indicação no voto nos Partidos que defendam uma França menos progressista e mais de tradição cristã, mais da ordem e mais do patriotismo e que seja intolerante à crimalidade dos grupos radicais muçulmanos e contra o aumento da imigração de não-europeus.

É a actual tendência.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Primeiro o país!

Junho 18, 2018

 

No final da Monarquia portuguesa, no reinado de Dom Manuel II, houve um ou outro caso de diálogo e colaboração de monárquicos e republicanos que colocaram o interesse nacional à frente das suas preocupações e motivações políticas, como foi o caso do republicano Dr. Miguel Augusto Bombarda – lente da Escola Médica – e que aceitou o convite do presidente do conselho de ministros do Reino de Portugal para ser “deputado independente” pelo círculo de Aveiro na listagem governamental.

Por ter sido publicada, é conhecida a carta datada de Março de 1908 do professor Miguel Augusto Bombarda ao presidente do conselho de ministros, almirante Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, justificando a sua surpreendente disponibilidade para qualquer cargo:

 

“Na situação em que V. Exª. trabalha pelo País, que precisa sossego, e pela liberdade, que precisa desafronta, eu entendo que todos, de qualquer política, podem estar ao lado de V. Exª. e eu adiante de todos pela muita amizade que lhe devo.

Exª. fará o que melhor entender para bem da grande causa que tomou a peito.”

 

O médico psiquiatra Miguel Augusto Bombarda, declaradamente republicano. foi presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais e da Academia Real de Ciências Médicas, foi também um dos fundadores do jornal “Medicina Contemporânea” e director do Hospital Psiquiátrico de Rilhafoles.

Sendo um dos responsáveis pela revolução republicana, foi assassinado poucas horas antes do começo das operações militares que em 5 de Outubro de 1910 pôs fim à Monarquia Constitucional.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

Miguel Bombarda Miguel Bombarda

Se por absurdo…

Junho 11, 2018

brasão de Portugal

Se por absurdo não tivesse sido proclamada a República e como o rei D.Manuel II não teve descendência teria sido o ramo de D. Miguel I a suceder na Casa Real. Assim, no período de 1910 a 2018, na República, Portugal teve 23 Chefes de Estado. No mesmo período e hipoteticamente em Monarquia teriam sido somente 3 os Chefes de Estado.

  1. D. Miguel II   (1853-1927)
  2. D. Duarte Nuno   (1907-1927)
  3. D. Duarte Pio   (1945-)

Listagem dos Presidentes da República:

  1. Manuel de Arriaga   (1840–1917)
  2. Teófilo Braga   (1843–1924)
  3. Bernardino Machado   (1851–1944)
  4. Sidónio Pais   (1872–1918)
  5. João do Canto e Castro   (1862–1934)
  6. António José de Almeida (1866–1929)
  7. Manuel Teixeira Gomes   (1860–1941)
  8. Bernardino Machado (2ª. vez)
  9. José Mendes Cabeçadas   (1883–1965)
  10. Manuel Gomes da Gosta   (1863–1929)
  11. António Óscar Carmona   (1869–1951)
  12. António Oliveira Salazar (interino)   (1889–1970)
  13. Francisco Craveiro Lopes   (1894–1964)
  14. Américo Thomaz   (1894–1987)
  15. António de Spínola   (1910–1996)
  16. Francisco da Costa Gomes   (1914–2001)
  17. António Ramalho Eanes   (1935–)
  18. Mário Soares   (1924–2017)
  19. Jorge Sampaio   (1939–)
  20. António de Almeida Santos (interino)   (1926–2016)
  21. Jorge Sampaio   (1939–)
  22. Aníbal Cavaco Silva   (1939–)
  23. Marcelo Rebelo de Sousa   (1948–)

Aparentemente, muito mais económico ao país uma Casa Real do que a Casa da Presidência da Republica.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

O rei em Las Ventas

Junho 10, 2018

 

Filipe VI-10.06.2018

Por cá muitos políticos têm receio de passar próximo da Praça de Toiros do Campo Pequeno nas noites de quinta-feira, não vá perderem os votos dos “animalistas anti-taurinos”. Sem entenderem que o que se passa na Praça Monumental do Campo Pequeno faz parte da nossa cultura e da tradição ancestral de lidar toiros a cavalo e pegar toiros de caras e de cernelha e que isso nos diferencia das outras tauromaquias.

Em Espanha há outra posição bem diferente e mais consentânea, o rei Filipe VI não tem esses receios, porque não vota nem é votado e aparece quando bem entende nas corridas de toiros e nos eventos ligados à cultura hispânica, como se pode ver nesta recente foto quando hoje assistiu à Corrida da Imprensa na Praça Monumental de Las Ventas.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

 

Monarquia e República

Junho 9, 2018

Simbolo da Monarquia portuguesa

Extractos da carta do monárquico Henrique Baptista ao republicano Bernardino Machado e publicada em opúsculo que foi editado em 1909:

Não tem V.Exª., ultimamente, descansado um momento de propaganda intensiva, tenaz, insistente, em favor da implantação d’uma hipotética república n’este belo Portugal.

 (…) Pena é que esse trabalho seja inútil, baldado, estéril, pela simples razão de que não precisamos de república para nada.

 (…) Que vantagens nos oferece V. Exª. na sua república parlamentar, tal como a deseja, modelada pelo figurino francês, sobre a monarquia representativa parlamentar?

(…)As monarquias modernas, fundadas na vontade dos povos, estribam n’esta o direito da sua existência. Desde que se reconheceu ao povo o direito de se governar, é justo que acatemos a sua vontade tanto quando ele faz a escolha d’um chefe electivo como quando ele faz d’um chefe vitalício e hereditário, ou não há n’este mundo lógica. Resta só estudarmos se será mais conveniente para o seu bom governo que o chefe seja electivo ou hereditário. Esta é pois a questão.

 (…)A liberdade política consiste sobre tudo no respeito pela opinião das minorias.Ora, quando todas as funções são electivas, a maioria, que triunfa, ocupa todos os lugares. O chefe do estado sobe depois ao poder como vencedor. Mas para subir lá, teve de apoiar-se n’um partido cujas ambições tem que satisfazer. A minoria encontra-se, pois, em toda a parte numa situação de vencida e os depositários do poder tornam-se verdadeiros inimigos.

(…) N’uma monarquia constitucional já não é fácil darem-se casos idênticos porque o rei não tem partido.

 (…) No presidente da república não pode haver igual interesse, porque o seu governo acaba com o predomínio do partido que o levou ao poder, portanto convêm-lhe sustenta-lo apesar de tudo e contra tudo.

(…) Numa república raramente os homens eminentes são escolhidos para a presidência, porque estes, em geral, sendo chefes duma política não convêm aquele lugar por os suspeitarem de falta de imparcialidade, e também porque, sendo chefes políticos, se têm partidários dedicados, têm igualmente inimigos acérrimos. Geralmente é escolhido para presidente da república um indivíduo que não faça sombra a ninguém, isto é, um homem politicamente nulo.

 Em 5 de Outubro de 1910 e após uma revolução em Lisboa foi implantada a República e por telégrafo a informação para os Governos Civis do país.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Simbolo da República portuguesa

 

Um fotógrafo taurino

Junho 8, 2018

Fotógrafo taurino

A revista Novo Burladero de Junho de 2018 tem, como habitualmente, uma página de Emílio de Jesus – um dos melhores fotógrafos taurinos de Portugal – e que nos brinda com duas fotos, lindas, de campinos. Uma delas na lezíria e que mais parece um quadro a óleo.

Emílio aproveitou para contar o que aconteceu com o saudoso Sérgio Perilhão quando lhe encomendou, nos anos 80, uma série de fotografias para os cartazes de promoção das Festas da Nossa Senhora de Guadalupe, de Samora Correia e o que recebeu em troca.

Vale a pena comprar a revista e ler o que Emílio de Jesus nos conta com alguma graça.

Um olé para ele!

Novo Burladero de Junho de 2018

Investida

Junho 6, 2018

Livro Praças de Sol

INVESTIDA

Na hora do dormir

No silêncio da madrugada

Um toiro tresmalhado

Adivinha

O seu destino

Investe contra a sombra

No outro dia na arena

A lâmina duma espada

Vai transformá-lo em lenda

 

Poema de José Vultos Sequeira

“Praça de Sol” – Maio de 1991

 

 

“Uma princesa não fuma”

Junho 2, 2018

Uma princesa não fuma.png

Depois de terem sido divulgados números preocupantes do agravamento do consumo do tabaco pelas mulheres que aumentou percentualmente em relação aos homens, apareceu uma excelente publicidade televisiva, direccionada para conter o avanço do vício do tabaco nas mulheres e que se intitula “Uma princesa não fuma”.

Tudo o que se possa fazer no sentido de prevenir uma doença terrível como é o cancro deveria ser de bom acolhimento da sociedade, das associações, do povo em geral.

Eis senão quando aparecem zelosos, atentos e preocupados pareceres da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, de associações e parlamentares feministas considerando a curta-metragem dirigida à mulher desinteressante e perigosa por ser exclusivamente destinada ao feminino, por ser um filme com uma mãe com cancro no pulmão e em estado terminal a recomendar à filha para não fumar. Ora tal parece não ser correcto, dizem as tais pessoas que consideram a campanha sexista…. Dirigido só às mulheres não pode ser, dizem, tanto mais que as querem “reduzir ao papel de mãe e ao papel de princesa”. Há quem não goste de um filme assim e o desaconselha como se fosse uma comissão de censura.

O exagero a que se chegou, de não se poder dizer que isto é para meninos e aquilo para meninas, em hipérbole que só admite o unissexo numa direcção perfeitamente estupidificante de quem não sabe exactamente a que sexo pertence, inquieta.

Será que esta ideia dos “estereótipos discriminatórios” é mesmo uma grande preocupação do país ou só se alguns? Faz confusão a alguém dizer que determinado produto é feminino e que um outro é masculino? Não é ou querem que não seja? Haverá mesmo necessidade de se assexuar tudo? Tudo amorfo? Tudo igual? Uma desorientação sexual?

«No creo en brujas, pero que las hay, las hay», o tal ditado castelhano que parece adaptar-se muito bem a esta gente cheia de preconceitos sexuais e medos desnecessários, que admite casamentos entre o mesmo sexo e se aflige e inquieta com uma campanha bem dirigida para uma sociedade onde as adolescentes cada vez fumam mais e com um aumento de 15% da mortalidade no sexo feminino por doenças relacionadas com o cigarro que provoca tumores malignos na traqueia, brônquicos e pulmões.

Portanto numa campanha de prevenção deste tipo terá que ter um público-alvo bem definido: as adolescentes. Há que as alertar enquanto é tempo.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Campanha anti-tabaco

 

Corpus-Christi e a tauromaquia

Maio 31, 2018

 

Antiga Praça de Toiros de Santarém

O “Dia do Corpo de Deus” e por ser feriado foi e é aproveitado na Península Ibérica para a realização de corridas de toiros e em Santarém, nomeadamente no primeiro quartel do século XX há diversos registos desses acontecimentos.

Interessante a notícia publicada num jornal de Santarém em 1910 e relacionada com a corrida que se realizou na tarde de 26 de Maio no “Dia da Procissão de Corpus-Christi”:

“Antes de começar a corrida, um toiro saltou a trincheira e a barreira, colheu diversos espectadores e assustou outros, forçou a divisória do Sol, que era de ferro e arame, vindo a cair na trincheira e fracturado a espinha.

O 7º. toiro, na primeira investida saltou as duas trincheiras e foi cair no Sector do Sol, colhendo muitos espectadores. Volta para a arena e salta novamente, desta vez para o Sector da Sombra. Houve muitos feridos. Perdida a serenidade, os espectadores num “salve-se quem puder” rolavam pelas bancadas, até que um espectador o rabejou, conseguindo deslocar o toiro para a trincheira. Destaque para a coragem do Inteligente – António Cruz – que permaneceu sempre no seu posto, qual comandante de navio durante um naufrágio, tendo o toiro passado por ele sem reparar no vulto. Na correria, o toiro colheu o espectador António Henriques de Carvalho, oficial do Governo Civil, que facturou uma perna e teve graves ferimentos na cabeça.

No Sector da Sombra, este toiro colheu Alfredo de Senna Azevedo, administrador da Casa Cadaval, que ficou muito danificado. Também o académico Rosa Mendes, quando fugia do toiro, na Sombra, espetou o pé numa bandarilha que tinha caído, sendo conduzido em braços para fora da Praça. O pânico foi tal, que até os campinos mostraram medo de entrar na arena e estavam completamente desorientados, tendo deixado sair os cabrestos e dois toiros, estando um destes em pontas.

Foi necessário o Inteligente mandar evacuar a Praça, para por fim aos desastres que parecia sucederem-se sem interrupção.

À saída, uns mal intencionados lembraram-se de gritar que fugira um toiro e isso deu motivo a novas e desordenadas correrias, a inúmeras quedas no Campo Sá da Bandeira e no Passeio da Rainha. Um estudante com medo, atirou-se do muro de suporte, ficando muito contuso, a ponto de ir de carro para o hospital.

Na Administração do Concelho ficaram depositados alguns objectos perdidos durante a fuga da Praça.”

Livro Praças de Toiros de Santarém